A junta militar da Tailândia instou a União Europeia (UE) a compreender as razões por detrás do golpe de Estado, ocorrido a 22 de maio, informa esta segunda-feira o jornal Bangkok Post.

O pedido do Conselho Nacional para a Paz e Ordem – designação oficial da junta – coincide com a reunião, em Luxemburgo, dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, durante a qual vai ser abordada, entre outros, a situação na Tailândia.

Os militares reiteraram que tomaram o poder para evitar uma espiral de violência após mais de seis meses de protestos antigovernamentais e que o seu objetivo é reformar o sistema político antes de convocar eleições para as quais ainda não definiram, porém, uma data.

Os apoiantes do Governo deposto acusam o Exército, que impôs a lei marcial dois dias antes do golpe, de atuar em conivência com os manifestantes antigovernamentais e a elite próxima da monarquia.

Suthep Thaugsuban, líder dos protestos contra o executivo deposto em maio, reconheceu que manteve contactos com o chefe do Exército e atual chefe da junta militar, Prayuth Chan-ocha, desde 2010, com o objetivo de acabar com o que apelida de “regime” do antigo primeiro ministro Thaksin Shinawatra.

Mais de 500 pessoas, incluindo políticos, ativistas e jornalistas, foram convocadas e detidas temporariamente pela junta militar tailandesa desde o golpe.

A Tailândia vive uma grave crise política desde o golpe de Estado de 2006 contra o antigo primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que vive exilado no Dubai para evitar cumprir a condenação à revelia de dois anos de prisão por corrupção.

Thaksin ou aliados ganharam todas as eleições na Tailândia nos últimos 13 anos, incluindo a vitória eleitoral em 2011 da irmã, Yingluck, destituída em maio pelo Tribunal Constitucional.

Desde o fim da monarquia absoluta em 1932, a Tailândia foi palco de 19 tentativas de golpe de Estado, das quais 12 tiveram êxito.