O presidente da Câmara de Tondela, José António Jesus (PSD), disse esta segunda-feira que não aceitará o encerramento de escolas com mais de 21 alunos, por entender que isso “contraria qualquer princípio de razoabilidade”.

De acordo com uma lista divulgada na segunda-feira pelo Ministério da Educação, no concelho de Tondela vão encerrar no próximo ano letivo as escolas de Outeiro de Baixo (Dardavaz), Parada de Gonta, Caparrosa, Santiago de Besteiros, Tourigo, Vilar de Besteiros e a n.º1 de Campo de Besteiros.

“Apesar de ser sempre um desgosto, podemos não conseguir ter argumentos para contrariar o fecho das escolas com menos de 21 alunos. Mas, em relação a todas as que têm mais do que esse número, indiscutivelmente vamos fazer uma contestação muito forte”, assegurou José António Jesus à agência Lusa.

O autarca contou que vai reunir-se com os diretores de agrupamento e com as Juntas de Freguesia para “avaliar a forma de reagir”, atendendo a que as escolas de Tourigo, Caparrosa e Vilar de Besteiros têm mais de 21 alunos inscritos.

“No caso de Vilar de Besteiros serão 35 ou 36 e no de Tourigo 31 crianças”, especificou.

Diferentes são os casos das escolas de Parada de Gonta e de Dardavaz, com 12 e 14 alunos, respetivamente, um professor para os quatro anos de escolaridade e que já no ano passado tinham sido sinalizadas.

“Nesses casos, sendo sempre um desgosto, admito que possam não existir argumentos muito robustos para defender as escolas. Mas com mais de 21 alunos a conversa é outra”, sublinhou.

Segundo José António Jesus, “a justificação do ministério é a de que o município tem um centro escolar em Campo de Besteiros que poderá acolher esses alunos”.

“É verdade que a nossa carta educativa defende que, gradualmente, esse será um centro de acolhimento. Mas o gradualmente pressupõe que seja quando o número de alunos e a sua frequência for tão baixa que já não permite que a escola não possa funcionar sem ser só com um professor”, acrescentou.

No caso das escolas de Tourigo, Caparrosa e Vilar de Besteiros o número de alunos é superior a 21 e há mais do que um professor na escola, tendo também “refeitórios ou a proximidade da refeição e um conjunto de requisitos que garantem a boa qualidade de ensino”.

No que respeita às distâncias a percorrer pelos alunos deslocados, os que ficam mais longe são os de Caparrosa e Tourigo, entre 12 a 15 quilómetros.

“Uma coisa é ter de deslocar oito, dez ou doze miúdos de uma escola que ficou com reduzida frequência, outra coisa é ter mais de 30, que é o caso de algumas destas escolas”, frisou.

Segundo a listagem divulgada pelo ministério, o distrito de Viseu é aquele onde vão encerrar mais escolas, um total de 57, nos concelhos de Cinfães (nove), S. Pedro do Sul (oito), Tondela (sete), Viseu e Moimenta da Beira (seis), Nelas e Oliveira de Frades (quatro), Vouzela (três), Sernancelhe, Tabuaço, Mangualde e Vila Nova de Paiva (duas) e Castro Daire e Sátão (uma).

O Ministério da Educação e Ciência anunciou no sábado que vai fechar 311 escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico e integrá-las em centros escolares ou outros estabelecimentos de ensino, no âmbito do processo de reorganização da rede escolar.

“O novo ano letivo terá início em infraestruturas com recursos que oferecem melhores condições para o sucesso escolar. [Os alunos] estarão integrados em turmas compostas por colegas da mesma idade, terão acesso a recursos mais variados, como bibliotecas e recintos apropriados a atividades físicas e participação em ofertas de escola mais diversificadas”, referiu a tutela em comunicado.

Segundo a nota, a Secretaria de Estado do Ensino e Administração Escolar concluiu na sexta-feira mais uma fase da reorganização da rede escolar, “processo iniciado há cerca de 10 anos e continuado por este Governo desde o ano letivo de 2011/2012, com bom senso e um olhar particular relativamente às características de contexto”.