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Felipe VI subiu ao trono há pouco mais de um mês mas as suas ideias já se fazem sentir, a bem da transparência e honorabilidade da coroa espanhola. O novo rei proibiu os seus pais, filhas e mulher de trabalharem no setor privado, conta esta segunda-feira o El Mundo. Numa altura em que a imagem da realeza espanhola está fortemente danificada, não só pelos escândalos do rei, como pelo caso Nóos, Felipe VI traçou um novo rumo para Espanha.

As novas medidas estão longe de se limitarem ao afastamento da Casa Real do setor privado. Elena e Cristina, irmãs do rei, serão desvinculadas das atividades habituais associadas à coroa, o que levará ao fim dos gastos com as mesmas. O diário espanhol informa ainda que Elena poderá ser convocada pela Casa Real ou Governo para representações “ocasionais e pontuais”, que terá de cumprir sem receber um cêntimo.

As oferendas recebidas pelos membros da Família Real, por exemplo, serão alvo de escrutínio, que se estabelecerá sob um novo regime jurídico. Já os trabalhadores da Casa Real terão um novo código de conduta específico. A Casa Real terá ainda, sob a forma de convénios, o acompanhamento jurídico permanente por parte do Ministério Público e estará próxima da Secretaria de Estado do Comércio para regular e promover os interesses económicos espanhóis. As contas da coroa estarão também elas submetidas à Intervenção Geral do Estado, que ficará encarregue de desenvolver uma auditoria externa e pública das mesmas.

Felipe VI, o sucessor do rei Juan Carlos, foi proclamado a 19 de junho, numa altura em que, segundo um inquérito do El País, a maioria dos espanhóis queriam um referendo à monarquia. Adivinhavam-se tempos conturbados, não só pelo estado da imagem da coroa espanhola, mas porque em tempos de crise as pessoas daquele país começaram a questionar a utilidade e transparência da realeza. O novo rei de Espanha parece estar decidido em mudar o rumo da história e aproximar os cidadãos à Casa Real.

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