Ébola

DGS cria “dispositivo de coordenação” para o Ébola

A Direção-Geral de Saúde criou um dispositivo para atuar se um caso de Ébola for detetado em Portugal, e garantiu que "estão previstas medidas para facilitar a evacuação" de cidadãos infetados.

O atual surto de Ébola começou no final de 2013

ZOOM DOSSO/AFP/Getty Images

Após a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar o surto de vírus do Ébola uma “emergência internacional”, a Direção-Geral de Saúde (DGS) garantiu que, até à data, “não se verificou nenhum caso” da doença em Portugal — e que tem “em estado de prontidão mecanismos para detetar, investigar e gerir casos suspeitos”, incluindo “capacidade laboratorial para confirmação da doença”.

Em comunicado divulgado na tarde desta sexta-feira, a entidade tutelada pelo Ministério da Saúde revelou já ter criado um “dispositivo de coordenação” que, caso seja necessário, “mobilizará e ativará recursos que sejam adequados a cada situação que venha a ser identificada”.

Este dispositivo, prosseguiu, foi estruturado “no âmbito da Unidade de Apoio à Autoridade de Saúde Nacional e à Gestão de Emergências em Saúde Pública da DGS e integra especialistas internos e de outros organismos”. A entidade ressalvou ainda que “estão previstas medidas para facilitar a evacuação e a repatriação dos cidadãos que possam ter estado expostos ao vírus”.

“Emergência internacional”

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o surto de Ébola na África Ocidental é uma “emergência de saúde pública internacional” e que uma “resposta coordenada é essencial para parar e fazer recuar a propagação mundial do Ébola”. Reunido em Genebra, o Comité de Emergência da OMS foi “unânime”, ao considerar que “as condições de emergência de saúde pública de alcance mundial estão reunidas”, diz a BBC.

Foi então declarada Emergência de Saúde Pública de Impacto Internacional (PHEIC), um procedimento criado em 2007 e apenas declarado por duas vezes — em 2009 no surto de gripe suína e em maio deste ano com as ocorrências de poliomielite no Paquistão e Afeganistão. Esta declaração de emergência é, sobretudo, preventiva, e pretende alertar o mundo para a existência de um problema. Combater a falta de informação é um passo importante para tornar as pessoas mais sensíveis a um problema, para já distante do hemisfério norte. Sensibilizar para prevenir, é o objetivo.

Para a OMS, deve ser declarado o estado de emergência em todos os países onde a doença esteja presente, mas ainda não é necessária a proibição generalizada de viagens nem impedir as transações comerciais provenientes dos países afectados, mas a organização considera que todos os países devem adotar medidas de prevenção extraordinárias. As pessoas que possam ter estado em contacto com doentes infectados ou apresentem sintomas suspeitos devem permanecer em regime de quarentena.

A declaração de emergência (PHEIC) serve também para “agilizar a proteção dos agentes de saúde no terreno”, sendo para tal precisa também uma “monitorização apertada do período de incubação da doença” (que pode ir até aos 21 dias), preocupação várias vezes salientada na conferência de imprensa. A OMS recomenda ainda que “profissionais de saúde acompanhem os funerais e prestem auxilio às populações, respeitando a cultura de cada região e ritual”, uma vez que, nestes países, as tradições fúnebres envolvem muitas vezes o contacto com os mortos e essa é uma das principais vias de contágio da doença.

O atual surto de Ébola começou no final de 2013 e entretanto espalhou-se, tendo já atingido algumas cidades importantes da África Ocidental. Neste momento é considerado o pior surto do Ébola, uma vez que já morreram 932 pessoas: 363 na Guiné Conacri, 286 na Serra Leoa, 282 na Libéria e 1 na Nigéria (dados de 6 de agosto da Organização Mundial da Saúde).

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