Jornalismo

Morreu Emídio Rangel, o “visionário” que fundou a TSF

1.880

Morreu Emídio Rangel, jornalista que fundou a TSF e foi o primeiro diretor de informação e programas da SIC. Estava internado há várias semanas. Perdeu a luta contra um cancro.

Emídio Rangel tinha 66 anos

Foto Diogo Pereira/Está a acontecer

Autor
  • Ricardo Oliveira Duarte

“Era um apaixonado e fazia-nos apaixonar pela rádio.” Manuel Acácio, chefe de redação da TSF, descreveu assim Emídio Rangel num especial que a rádio abriu a propósito da morte do homem que a fundou. Sobre a “rádio que mudou a rádio”, em Portugal disse que foi “a vitória do sonho”. As três letras, TSF, ficam-lhe para sempre coladas ao nome, mas há outras, SIC e RTP. Na primeira televisão privada em Portugal foi o primeiro diretor de informação e programas, no canal público foi diretor-geral. “Transformou a televisão em Portugal”, disse Nuno Santos, que com Rangel fundou a SIC Notícias. “Alguém que queria trazer o novo, mais que a novidade”, destacou Fernando Alves, jornalista de muitos anos da TSF, referência da rádio e autor de programas como “Sinais”.

Emídio Arnaldo Freitas Rangel nasceu em Angola, Sá da Bandeira (atual Lobango) a 21 de Setembro de 1947. Não resistiu a um cancro na bexiga. Estava internado no Hospital Egas Moniz há vários dias.

Licenciou-se em História, pela Universidade Clássica de Lisboa, chegou a estudar também Direito, mas a carreira afastou-o da conclusão de um segundo curso. Entrou na rádio em 1964, na Rádio Clube de Huíla, onde esteve três anos. Depois foi para a Comercial de Angola onde chegou a chefe dos serviços de produção.

Em 1975, revezando-se a conduzir com dois dos 4 irmãos, fugiu de Angola para a África do Sul, demorando dois dias a chegar. Lá, foi preso, declarado persona non grata e enviado de avião para Frankfurt. Chegou a Lisboa em Agosto de 75 e a primeira profissão que teve foi vendedor de enciclopédias. Não demorou muito até, novamente, trocar os livros pelos microfones, concorreu a um lugar na antiga RDP, ficou em segundo lugar entre 300 candidatos, e entrou na estação pública. Foi repórter, sub-chefe de redação e enviado especial. Ganhou vários prémios, entre eles, o Gazeta, com uma reportagem sobre a Ereira, uma vila perto de Coimbra que o Inverno isolava, e o Reis de Espanha, sobre a lixeira da Bobadela.

Depois veio a TSF, a fundação da TSF – Cooperativa de Profissionais de Rádio. Foi diretor e presidente do conselho de administração da rádio. “Foram dias inesquecíveis, os melhores”, disse David Borges à TSF.

Antes do arranque oficial da rádio, às 7 da manhã do dia 29 de fevereiro de 1988, Emídio Rangel anunciava uma “rádio bissexta, 24h/dia de música e notícias”.

Em 1992, em fevereiro, aceitou o convite de Francisco Pinto Balsemão para diretor de informação da SIC, tendo assumido funções em abril. Em agosto acumulou a direção de programas, devido à saída de Maria Elisa. Esteve quase dez anos em Carnaxide. Saiu para a RTP, para diretor-geral, onde esteve menos de um ano.

Fernando Alves não hesitou, hoje na TSF, em classificá-lo como um visionário. “Era claramente aquele que ia adiante e que puxava o grupo para adiante. Mostrava caminho”.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)