Os ganhos de competitividade nacionais, a maior dependência de serviços como o turismo e a maior abertura que o país regista face ao exterior têm sido o suporte da reanimação da economia portuguesa, afirmou Cristina Casalinho no artigo de opinião que assinou no domingo no Jornal de Negócios, mas ainda subsistem “escolhos perenes”.

A nova presidente do IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública) fez o alerta. Os desafios da economia portuguesa centram-se agora na diminuição do investimento e numa eventual baixa produtividade. Fatores como a remuneração do trabalho ser inferior à média da economia nacional, o país ter perdido quase meio milhão de pessoas entre os 15 e os 29 anos na última década e a taxa de desemprego ser superior a 35% são alguns dos “escolhos” apontados por Cristina Casalinho. No país, existem cada vez mais licenciados, mas cerca de 19% dos estudantes abandonam precocemente a escola.

No artigo de opinião que assinou na publicação, a presidente do IGCP destacou alguns indicadores que ajudam a explicar o caminho que a economia portuguesa está a traçar para a retoma. No segundo trimestre de 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) abrandou face aos primeiros três meses do ano, em parte devido ao contributo menos positivo do investimento, explicou Cristina Casalinho.

As exportações de mercadorias diminuiram 0,4% no segundo trimestre de 2014 face ao segundo trimestre de 2013 e as importações aumentaram 1,4%, o que fez com que o saldo da balança de bens e serviços entrasse novamente em território negativo. A queda das vendas de combustíveis ao exterior foi o grande contributo para o decréscimo das exportações e, para o aumento das importações, contribuiu a compra de carros: a aquisição de automóveis de passageiros aumentou 47,3%.

O consumo privado revelou “sinais de robustecimento”, a taxa de desemprego caiu de 15,2% para 13,9%, no segundo trimestre do ano e o emprego cresceu 2%, face a igual período no ano passado. A população ativa encolheu 0,9% e o índice de custo de trabalho subiu 3,1% no segundo trimestre do ano. Contudo, no setor privado, este índice caiu 1,9%, consequência da subida nos custos médios do trabalho e das horas de trabalho semanais.