O Fundo Monetário Internacional referiu nesta terça-feira que, se as tensões na Ucrânia continuam, em 2015 o país pode vir a necessitar de “fundos adicionais” a juntar ao atual pacote de assistência financeira. Um relatório elaborado após a primeira revisão do programa de ajuda financeira a Kiev, o Fundo Monetário Internacional (FMI) indica que os confrontos na Ucrânia entre as forças governamentais e os rebeldes pró-russos vão começar a provocar problemas nos próximos meses.

O “atraso” na obtenção de uma solução provocou também a redução nas previsões de crescimento que apontam para uma queda do Produto Interno Bruto (PIB), que baixa para os 6,5% em 2014. “Tendo em conta a falta de proteções do programa, caso se venham a manifestar certos riscos, seria necessária uma nova estratégia, apoiada por uma significativa assistência externa adicional”, indica o documento do FMI.

Sobre os riscos, o relatório refere “a extensão e o degradar das tensões geopolíticas no Leste da Ucrânia, em virtude do resultado da escalada do conflito ou do maior agravamento das fricções políticas e comerciais, além da questão do gás, com a Rússia” e que, continua o documento, podem provocar uma maior saída de reservas, uma recessão mais profunda e a desvalorização da moeda local.

O chefe da missão do FMI em Kiev, Nikolay Gueorguiev, sublinhou, durante uma conferência telefónica, que o leste do país, onde se registam os confrontos, é o “coração industrial” da Ucrânia e que por isso a atividade económica é afetada. Na sexta-feira, o FMI anunciou o envio de uma tranche de 1.390 milhões de dólares [mil milhões de euros] para a Ucrânia, após a conclusão da primeira revisão económica do programa de resgate financeiro aprovado em abril. A próxima revisão do FMI está prevista para dezembro.

O programa, pedido pelo governo de Kiev, tem uma duração de dois anos e conta com um valor total de 16.670 mil milhões de dólares [12 mil milhões de euros] destinados a “restaurar a estabilidade macroeconómica, fortalecer a governabilidade e transparência e promover um crescimento saudável e sustentável, ao mesmo tempo que prevê a proteção dos mais vulneráveis”. A ajuda do FMI forma parte de um pacote de ajuda internacional mais amplo, que ascende a um total de 27 mil milhões de dólares [19,6 mil milhões de euros] da União Europeia e do Banco Mundial, entre outras entidades.