A agência que gere a dívida pública portuguesa confirmou hoje a colocação de 3,5 mil milhões de euros em dívida a 15 anos, e diz que esta dívida permite satisfazer as necessidades de financiamento que ainda restavam para este ano e ainda uma parte do financiamento necessário para o próximo ano.

Em comunicado onde divulgou os detalhes da operação, o IGCP diz que a procura chegou aos 9 mil milhões de euros, mais do dobro dos 3,5 mil milhões de euros que o Estado decidiu colocar.

Por estes 3,5 mil milhões de euros de dívida, o Estado vai pagar uma taxa de juro de 3,875%.

O IGCP diz que a redução consistente dos juros exigidos pela dívida portuguesa, juntamente com o feedback positivo que têm tido da parte dos investidores, a melhoria dos mercados na zona euro e o timing, deram a Portugal uma janela de oportunidade para ir aos mercados em condições favoráveis.

Para isso, esta terça-feira pelas 13:00 comunicou ao mercado (e não publicamente, como é feito nos leilões) a decisão de avançar com a operação. Duas horas depois, o IGCP começou a receber manifestações de interesse.

A operação começou pelas 08:30 de hoje, com manifestações de interesse já para três mil milhões de euros de dívida, mas que ao fim de uma hora já atingiam o dobro.

A elevada procura permitiu ao IGCP baixar a taxa de juro que estava a oferecer por este empréstimo em cinco pontos base (0,05 pontos percentuais).

Dos 3,5 mil milhões de euros de dívida que Portugal conseguiu hoje no mercado, 94,1% foram comprados por investidores estrangeiros. Destes, a maior fatia foi para investidores norte-americanos que conseguiram 32,2% do total de dívida colocada, seguidos imediatamente dos investidores britânicos (29,1%) e de investidores da Escandinávia (13%).

Já quanto ao tipo de investidores, esperava-se grande interesse dos mais tradicionais, caso dos fundos de pensões e seguradoras, ou bancos centrais, que procuram dívida de mais longo prazo e de risco reduzido. Os resultados dão conta, no entanto, de que 66,4% do montante tenha sido junto de gestores de ativos.

Os fundos de pensões e as seguradoras compraram 13,2% das obrigações hoje emitidas e os bancos centrais apenas 1,4%.