Se a França não entregar o navio de guerra que prometeu à Rússia terá que pagar 1,1 mil milhões de euros pela suspensão do contrato. O valor foi avançado pelo próprio presidente François Hollande quando, em julho, foi questionado pelos jornalistas. Estados Unidos e Reino Unido pressionavam para que a entrega do primeiro de dois navios, prevista para outubro, fosse suspensa. Mas Hollande lembrava que a suspensão tinha custos. Agora, com a cimeira da NATO à porta, acabou por ceder.

“O negócio foi concluído em 2011. Os russos pagaram. É preciso reembolsar 1,1 mil milhões de euros” caso o navio não seja entregue, disse Hollande durante uma cerimónia em julho. E o assunto não ficou por aqui. Reforçando a ideia de Hollande e a resistência à reação internacional, o próprio chefe da diplomacia francesa lembrou uma regra essencial:

“Os contratos assinados e pagos são honrados”, disse o chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius.

Numa entrevista ao Le Monde, a 20 de agosto, Hollande voltou a ser confrontado com o negócio celebrado com a Rússia em 2011. Em causa, a entrega de dois navios de guerra Mistral – um a ser entregue em outubro de 2014 e o outro um ano depois. O Presidente disse que, apesar das tensões e da crise com a Ucrânia, a entrega do navio a Moscovo não estaria em causa. “Hoje, os níveis de sanções (europeias contra a Rússia) não impedem a entrega do navio. A decisão tomada pela União Europeia no final de julho não tem efeitos retroativos e não põe em causa o contrato assinado em 2011”, insistiu.

Esta quarta-feira o cenário mudou. E num comunicado oficial a presidência francesa anunciou:

“As recentes ações da Rússia no leste da Ucrânia contrariam os fundamentos da segurança na Europa”.