O dever estava feito. Um, dois e três. Um hat-trick em 68 minutos contra o Osasuna e vitória por 3-0. O Valência ficou feliz, e Jonas também. Assim que o árbitro apitou pela última vez, o brasileiro, que estava no banco de suplentes, levantou-se e partiu em direção ao balneário. Até Sergio Canales o agarrar. “Ele disse para eu pegar a bola, não entendi nada”, contou, em dezembro de 2013, ao recordar o momento em que, não fosse o espanhol, e teria ido embora sem a bola do jogo. “Explicou-me que quem faz três golos leva-a para casa”, resumiu depois o homem que, na semana seguinte, voltar a marcar outro hat-trick, contra o Nàstic.

É esta a história de Jonas, o novo reforço do Benfica — com golos pelo meio. Jonas é internacional brasileiro, é avançado, tem 30 anos e assinou contrato para as próximas duas épocas com os encarnados. Chega fora de horas, com a altura das compras já ultrapassada e com a época a decorrer, pois estava sem contrato desde que rescindiu com o Valência, há semanas. Após 51 golos e 23 assistências distribuídas pelas três temporadas e meia que passou no clube ché, o português Nuno Espírito Santo, treinador da equipa, achou que Jonas não servia.

Jorge Jesus não concordou. E, com o mercado já fechado, foi buscar um jogador livre para dar nova companhia a Lima no ataque do Benfica. “Tem historial de golos”, disse o técnico encarnado, na quarta-feira, quando o questionaram sobre Jonas. Não se enganou — ainda é dele o recorde de maior número de golos marcados (23 com o Grémio, em 2010) numa edição do Brasileirão, desde que o campeonato tem 20 equipas. “Sempre fez uma dupla de área com outro jogador à frente dele”, acrescentou Jesus, outra vez com razão. “Sempre joguei nessa posição”, confirmou Jonas, há dias, ao MaisFutebol.

E foi por ali, atrás de outro homem com a missão de marcar golos, que Jonas mais deu nas vistas. Entre 2011 e 2013, nas duas épocas em que teve a companhia de Roberto Soldado no Valência, o brasileiro marcou 19 golos em cada uma. À exceção dos tempos no Grémio, Jonas não mais foi um avançado para marcar um golo por jogo. O brasileiro joga de cabeça levantada, remata muito e bem, e não costuma parar quieto durante um jogo, à procura da bola. Não é um Rodrigo — nem de perto tem a velocidade e a explosão da anterior sombra de Lima. Mas tem anos e anos passados a servir outro avançado à frente dele. E era isso que o Benfica estava à procura.