O líder parlamentar do Partido Socialista (PS) já foi um forte opositor da redução do número de deputados, mas agora, o líder do PS, António José Seguro, tornou-o um defensor da medida, conferindo-lhe responsabilidades no diálogo e consenso com os restantes partidos.

Quando o grupo parlamentar do PSD iniciou a discussão sobre a eventual redução do número de deputados com assento na Assembleia da República em abril de 2006, ainda não havia uma decisão no seio do PS. A redução de 230 para 180 deputados defendida pelo Partido Social Democrata (PSD) no âmbito da reforma da lei eleitoral acabou por não encontrar apoio do lado socialista, conforme noticiava o Diário de Notícias em novembro de 2006. Na altura, Jaime Gama mostrou-se favorável à diminuição do número de parlamentares, ao contrário de outros nomes do partido como Manuel Alegre ou António Galamba. Por outro lado, Alberto Martins não fechava a porta a uma negociação nesta matéria.

Em maio de 2007, porém, Alberto Martins negava qualquer possibilidade de negociação com o PSD. Em entrevista à TSF, Martins deixava claro que o PS não ia seguir as ideias do PSD em relação à revisão da lei eleitoral. Não concordava com a redução de deputados, embora tivesse no programa a criação de círculos uninominais – os eleitores passariam a votar duas vezes para o Parlamento, uma na lista do partido e outra no deputado que pretendiam ver eleito. «Repetidamente, temos apresentado um projeto que vai no sentido dos círculos uninominais, mas sem pôr em causa aquilo que para nós é sagrado na democracia portuguesa: que é o princípio da representação proporcional.»

Contrariando as convicções do partido no passado, e de muitos socialistas do presente, António José Seguro anunciou esta quarta-feira que as iniciativas para a redução do número de deputados deverão ter início a 1 de outubro. Uma medida que gerou críticas não só entre socialistas, como António Costa ou João Galamba, mas também nos partidos mais pequenos. Mas Seguro garante que é uma proposta meramente política, não é dirigida “contra ninguém”.

Numa conferência de imprensa na sede do partido no Largo do Rato esta terça-feira, Seguro disse que o líder da bancada parlamentar, Alberto Martins, vai agora iniciar conversas com os partidos políticos porque quer alcançar “um forte compromisso”. Mas para alterar a lei eleitoral são precisos dois terços dos deputados e Seguro tem até como meta que estas propostas sejam aprovadas “com um consenso ainda mais alargado do que os dois terços que se exigem”.

Assim, Alberto Martins vê-se obrigado a passar de opositor a defensor da redução de deputados. Não foi possível ao Observador obter qualquer comentário do líder parlamentar sobre este assunto.