É uma das dúvidas mais anciãs nas finanças pessoais: o dinheiro que se junta todos os meses deve ser conduzido exclusivamente para investimentos ou deve-se preferir anular as dívidas. Na maioria dos casos, os créditos devem ser os destinatários do dinheiro amealhado.

Excluindo os empréstimos à habitação, as taxas de juro cobradas pelas instituições de crédito são muito altas. Em média, os créditos que se vencem até um ano pagavam 13,38% em agosto, revelam as estatísticas do Banco de Portugal. Mesmo os mais dilatados, que maturam depois de cinco anos, cobravam 6,30%. Nestes casos, não há dúvidas: é melhor amortizar do que investir.

Quer dormir melhor?

Nos créditos à habitação, a história é outra, porque a taxa média em agosto era de 1,53%, pouco superior à taxa média que os bancos pagavam nos depósitos a prazo, de 1,51%. Assumindo estas taxas de juro, a amortização de um crédito de 100 mil euros em 10 mil euros permite poupar 12.476 euros no final de 30 anos. Todavia, a aplicação anual dos mesmos 10 mil euros à taxa de 1,51% acumula 13.832 euros no prazo de três décadas, mesmo depois de descontar os impostos sobre os rendimentos. Naturalmente, um aforrador que planeie um investimento por 30 anos conseguirá alcançar um rendimento superior a 1,51%, mesmo em produtos de capital garantido.

Embora matematicamente o investimento seja mais vantajoso que a amortização de um crédito à habitação, a redução da dívida tem um benefício acrescido: permite dormir melhor à noite. Se não gosta de estar atado ao seu banco devido ao crédito, a única maneira de se libertar é amortizá-lo e, simultaneamente, reduzir o prazo. No caso anterior, os 10 mil euros de amortização permitiriam reduzir o prazo da dívida em três anos e meio sem aumentar a prestação mensal.

Na decisão entre investir ou amortizar o crédito à habitação, pondere se quer ter provavelmente um pé-de-meia superior no futuro ou se pretende libertar-se mais cedo do seu banco.