José Manuel Durão Barroso vai receber das mãos do Presidente da República o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique, distinção normalmente atribuída a Chefe de Estado estrangeiros e que apenas tinha sido atribuída a dois portugueses: António Oliveira Salazar e Vasco Rocha Vieira.

Barroso termina esta sexta-feira o seu mandato como Presidente da Comissão Europeia, cargo que exerceu durante dez anos, desde 2004. “Trata-se do mais alto cargo internacional alguma vez assumido por um português e, pelos serviços de extraordinária relevância prestados a Portugal e à União Europeia, o Presidente da República decidiu — nos termos do artigo 25.º e do n.º 4 do artigo 46.º da Lei das Ordens Honoríficas Portuguesas – condecorar o Durão Barroso com o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique”, informa nota da Presidência, esta sexta-feira, tal como o Observador avançara, na quinta-feira.

A cerimónia de condecoração decorrerá no Palácio de Belém, na segunda-feira, 3 de novembro, pelas 12 horas.

Segundo a Chancelaria das Ordens Honoríficas, a Ordem do Infante D. Henrique destina-se a distinguir quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores. O Grande Colar é também atribuído a antigos Chefes de Estado e a pessoas “cujos feitos, de natureza extraordinária e especial relevância para Portugal, os tornem merecedores dessa distinção”.

António de Oliveira Salazar, antigo Presidente do Conselho de Ministros que governou Portugal entre 1932 e 1968, recebeu esta distinção dia 4 de outubro de 1968. Inicialmente, o Observador avançara que, até agora, Salazar fora o único português a receber a condecoração — isto porque, na base de dados do site da Presidência sobre as Ordens Honoríficas, não consta o grau de Grande-Colar atribuído por Jorge Sampaio, em 2001, a Vasco Rocha Vieira, militar e último governador português de Macau.

O Grande Colar foi entregue a 85 Chefes de Estado e outros responsáveis estrangeiros, como Fernando Henrique Cardoso, Hugo Chávez, Joaquim Chissano, François Miterrand, Nelson Mandela ou Xanana Gusmão.