Figuras como o ex-líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, Bagão Félix, ex-ministro, Silva Peneda, presidente do Conselho Económico e Social, e Diogo Freitas do Amaral, fundador do CDS, juntaram-se para um apelo conjunto ao primeiro-ministro, ao Parlamento e ao Presidente da República de modo a travar a iminente venda da PT e resgatar a empresa. Segundo os 14 signatários deste apelo, o tema “já não é apenas empresarial, mas assume contornos políticos nacionais que implicam uma atitude que respeite o primado do interesse e da responsabilidade públicas”.

O Público noticia esta terça-feira que 14 personalidades portuguesas de vários quadrantes ideológicos se uniram num apelo “às autoridades políticas e públicas” para que a venda eminente da PT seja travada, defendendo que “os órgãos de soberania devem interpretar fielmente a prossecução do bem comum”. Juntam-se ainda aos nomes enunciados acima, figuras como Manuel Carvalho da Silva, ex-líder da CGTP, e José Pacheco Pereira.

Muitos dos signatários deste apelo fizeram parte do Manifesto dos 74, um documento que juntou vários economistas e que pedia a reestruturação da dívida, levando à criação de uma petição que em abril chegou à Assembleia da República.

O site esquerda.net tem o apelo na íntegra:

“Apelo para resgatar a PT

As razões do descalabro e desmembramento da PT, no contexto da sociedade e da economia portuguesa, advêm, ao longo deste século, de graves erros, distorções, falta de visão estratégica nacional e diluição ética de diferentes níveis de decisão. Importa, por isso, aprofundar as ilações a extrair desta situação.

Mas, olhando para o próximo futuro, a gravidade da situação da PT é incompatível com silêncios, omissões ou acomodações. Está em causa o interesse nacional na sua mais genuína interpretação. Está em causa a prossecução do bem comum e a defesa estratégica da soberania nacional. Por isso, exige-se das autoridades políticas e públicas uma actuação intensamente activa. Não importa agora justificar a inacção com a inexistência jurídica de uma “golden share”. O assunto já não é apenas empresarial, mas assume contornos políticos nacionais que implicam uma atitude que respeite o primado do interesse e da responsabilidade públicas.

Este problema não pode, pois, ser exclusivamente deixado à lógica estrita de mercado e de interesses particularistas. Não pode ser tratado como se tratasse de um assunto de quase rotina sujeito à lei mecânica da indiferença e da passividade. Exige apuramento profundo e integral de responsabilidades e a salvaguarda de aspectos inalienáveis da nossa soberania.

Portugal não pode ficar desarmado. Os órgãos de soberania devem interpretar fielmente a prossecução do bem comum que é pertença da Nação.”