O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, afirmou esta quarta-feira que não há razões para haver uma alteração nas previsões do governo para as metas de 2015 e anunciou um défice abaixo dos 3% para o próximo ano. “Não vou estar a assustar os agentes comerciais e os portugueses com medidas que nem sei sequer se serão necessárias”, disse.

“A execução orçamental enfrentará riscos em 2015 e nos anos subsequentes. Mas isso só nos recomenda a concentrar a nossa melhor atenção em minimizar esses riscos e maximizar aqueles que são os nossos pontos fortes”, começou por dizer. “Não há dúvida que os resultados que têm vindo a ser objetivamente constatados de alguma forma sustentam as previsões que o governo português tem realizado. Não vejo razões para estar a alterar nesta altura o quadro de previsões do cenário macroeconómico que o governo partiu para a elaboração do Orçamento do Estado 2015.”

Passos Coelho considera “natural” que existam outras perspetivas e diferentes previsões, nomeadamente da Comissão Europeia, que apontou uma derrapagem no défice para 3,3% em 2015. Apesar dos desencontros nas previsões, o primeiro-ministro congratulou-se com o valor da taxa de desemprego, que estacionou nos 13,1%, um valor anunciado esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística. “Quando cheguei ao governo tinham uma taxa de desemprego na casa dos 12%, o que significa que depois de todo o processo de ajustamento que teve lugar estamos a atingir o valor registado quando a crise rebentou”, disse.

“O governo não tem razões para mudar as previsões que fez”

“Da mesma forma que nestes três anos não esperámos que fosse a troika a obrigar-nos a fazer o que era preciso, nem nunca nos andamos a desculpar com a troika e Bruxelas, também não é agora que o programa terminou que precisamos de provar que estaremos cá para fazer uma monitorização muito próxima e para ajustar a nossa estratégia”, informou.

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Para o líder do Executivo português não faz sentido haver uma antecipação de um desempenho pior quando a economia não dá esses sinais. “O governo não tem razões para mudar as previsões que fez. Iremos sair do procedimento de défice excessivo, ou seja vamos ter menos de 3% de défice, em 2015.”

Relativamente à Portugal Telecom, Passos Coelho revelou que não há qualquer intenção de nacionalizar a empresa de telecomunicações. “O Estado não tenciona nacionalizar ou intervencionar a PT. Sigo com atenção o que se passa na PT, não quero acrescentar ruído. O futuro da PT é importante para a economia, mas vejo que existem movimentos que estão nesta altura a desenvolver-se que não partem do Estado”, revelou.