A comunicação de operações bancárias suspeitas envolvendo o antigo primeiro-ministro terá partido da Caixa Geral de Depósitos (CGD). A informação é avançada hoje pelos jornais Diário de Notícias e Jornal de Notícias.

O próprio José Sócrates já tinha assumido publicamente que a única conta bancária que tinha fora de Portugal, em França, estava no banco público. O ex-primeiro-ministro também justificou os fundos que usou para financiar a sua estada em Paris, onde estudou filosofia, como tendo resultado de um empréstimo contraído junto da CGD.

De acordo com a informação da imprensa, a comunicação feita ao abrigo da prevenção e controlo de branqueamento de capitais, terá sido realizada há pouco mais de um ano, quando José Sócrates estava a residir em Paris. Entre as operações que levantaram suspeitas estarão transferências realizadas pela mãe do ex-primeiro-ministro para a conta do filho, que terão chegado a ultrapassar 200 mil euros e que resultaram da venda de imóveis no Cacém e no edifício Heron Castilho.

O comprador de alguns desses imóveis terá sido o empresário Carlos Santos Silva, amigo de longa data de José Sócrates, que assim utilizaria este esquema para enviar dinheiro para o antigo primeiro-ministro. Terá sido através das transferências realizadas pela mãe, e na sequência do levantamento do sigilo bancário, que as autoridades chegaram a Carlos Santos Silva, que também foi constituído arguido no processo que levou à detenção de José Sócrates.

De acordo com as regras de prevenção e branqueamento de capitais, o ex-primeiro ministro é uma pessoa politicamente exposta devido aos cargos públicos que exerceu, devendo por isso ser alvo de uma fiscalização mais apertada dos bancos na medida em que representa um risco mais elevado de operações irregulares. As mesmas regras definem que os movimentos bancários de familiares de pessoas politicamente expostas e entidades ou parceiros de negócios, devem também ser alvo de um maior controlo.

O estilo de vida do ex-primeiro-ministro em Paris, designadamente o apartamento que terá comprado num bairro luxuoso da capital francesa, terá constituído mais um sinal para os investigadores. O único rendimento que se conhece de José Sócrates após ter abandonado cargos públicos resulta da função de presidente do conselho consultivo para a América Latina da farmacêutica Octapharma que renderá um salário mensal de de 12 mil euros.