O dilúvio nem apareceu de rompante. Foi espreitando, deu sinais, bateu à porta e, paciente, esperou. Mas dava sinais de si. A chuva caía, com força, e a intensidade dos aguaceiros era muita. Tanta que se tornou numa espécie de vírus que contagiou aos 22 homens que, bem molhados, corriam atrás de uma bola no Estádio António Coimbra da Mota. Em boa hora assim foi, porque, lá intenso, o jogo foi. Pelo menos enquanto durou.

Com ou sem chuva, tinha que ser assim. O Estoril sabia-o. De cor e salteado, pois, à quarta jornada da fase de grupos da Liga Europa, a equipa de José Couceiro estava encostada à parede — de uma maneira ou de outra, tinha que receber o PSV Eindhoven com uma vitória se pretendesse continuar vivo nas andanças europeias. Portanto, havia que tentar, correr, jogar, correr mais um pouco e ser melhor que os holandeses. Só assim, a vencer, seria possível chegar à última jornada com esperança de saltar para os dezasseis-avos de final da competição.

E ninguém parecia querer mais isso do que Kuca. O cabo-verdiano, rápido e irrequieto, fez a vida negra a quem, à sua frente, já encharcado estava. Santiago Arías que o diga. O defesa direito, que há dois anos ainda estava pelo Sporting, foi uma e outra vez ultrapassado pelas fintas e correrias do extremo, teimoso em pegar na bola, cortar para dentro e disparar remates ou cruzamentos. Foi sempre assim até ao intervalo. Mas também foi o PSV que marcou primeiro.

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Memphis Depay, o novato (20 anos) craque, que deixou três golos marcados no último Mundial e já leva 12 esta época, fez o primeiro, logo aos 6′. A resposta não demorou e foi outro miúdo, Tozé, este pequenote (1,70m), a empatar. O ritmo não abrandou. Enquanto Kuba ia agitando as águas, Luciano Narsingh marcava o segundo. Eram três golos em sete minutos. Nem se notava a chuva, com tanta novidade, mas a verdade é que o PSV marcara nas únicas jogadas em que conseguira chegar perto da baliza de Kieszek.

Depois, o PSV acalmou. Fosse pelas chuteiras cheias de água, os equipamentos mais pesados pela molha que levavam ou pela tranquilidade de estarem a vencer, os holandeses abrandaram. E o Estoril acelerou. Aos 29′, um livre deixou Tozé parado à chuva e, quando o médio se mexeu e bateu na bola, ela foi parar à cabeça de Kuca, na área, que fez o 2-2. Recompensa para ambos, que até ali eram os que melhor tinham construído uma arca para se manterem à deriva na partida. Depois, aos 38′, foi a vez do cabo-verdiano cruzar a bola para a área e por lá aparecer Diogo Amado. Estava feito o 3-2. E que primeira parte.

Ou melhor, e que jogo. Assim que o árbitro ordenou o descanso, o dilúvio perdeu a paciência — entrou de rompante, Amoreira dentro, e fez-se notar. A chuva aumentou de intensidade e o relvado transformou-se numa piscina. Os funcionários do clube bem tentaram, com pás e vassouras de madeira, empurrar a água para fora do relvado. Mas não resultou. A chuva não se quis ir embora e, quase uma hora depois, o árbitro disse basta.

O jogo foi adiado e reagendado para as 16 horas de sexta-feira, no mesmo sítio. Já se sabe que vai chover. Veremos é se, desta vez, o dilúvio fica à porta. E quem já levou com a porta da Liga Europa na cara foi o Rio Ave, que visitou Miguel Veloso e os ucranianos do Dínamo, em Kiev, para de lá sair com uma derrota, por 2-0. Golos de Jeremain Lens, um holandês, extremo, que há duas épocas estava no PSV, e de, lá está, Miguel Veloso.