“Purmont, Aaron Joseph, 35 anos, morreu em paz em casa a 25 de novembro depois de complicações pela picada de uma aranha radioativa que levou a cinco anos de combate ao crime e um ano de luta contra um criminoso chamado cancro, que amaldiçoa a nossa sociedade há demasiado tempo.” Este foi o início do obituário que os leitores do Star Tribune puderam ler no último dia de novembro.

Não foi nenhum engano, Aaron morreu mesmo, tinha 35 anos, lutava há cinco contra o cancro e para o seu filho de três anos, Ralphie, era um super-herói. Foi o último desejo deste pai, ser lembrado como o Homem-aranha, fazer com que o seu filho perpetuasse a luta contra a doença e dar um bocadinho de mais cor à sua vida. Escreveu o seu obituário em vida na companhia da mulher que confessa “nunca ter rido e chorado mais de uma só vez”, mas que está “feliz por o ter feito”, como explica no seu Tumblr, “Eu amo tanto este homem.”

Nora, a mulher, diz que ele “nunca se mostrou preocupado com nada” mesmo quando lhe foi diagnosticado o tumor no cérebro. O obituário parece transmitir isso: “Os civis reconhecê-lo-ão melhor como Homem-aranha, e ficar-lhe-ão gratos durante muitos anos pelo seu serviço de proteção da nossa cidade. A sua família apenas o conhecia como o simpático e bem comportado diretor artístico, designer de websites, t-shirts e posters de concertos que tinha sempre o casaco certo para usar e a coisa certa para dizer (mesmo que fosse muito inapropriada).”

O obituário de Aaron vai alternando entre a sua vida real, a vida do herói de banda desenhada e alguns sonhos. E quem melhor que o próprio para contar a história da sua vida? “Aaron era conhecido pelas suas longas histórias, que ele adorava repetir. No liceu, fez parte da banda The Asparugus Children, que teve a aclamação da crítica nos subúrbios do norte. Como adulto, tirou o curso na Universidade de Artes Visuais (que também foi vítima de morte prematura recentemente), trabalhou em várias agências de Minneapolis, mas fixou-se como diretor criativo na Colle + McVoy. Aaron era aficionado em banda desenhada, uma enciclopédia da cultura pop e sempre a pessoa mais divertida de qualquer festa.”

Este obituário já se tornou viral, pela frontalidade com que Aaron fala da sua luta de cinco anos, mas também pelo sentido de humor que consegue usar, como por exemplo quando fala da família que ganha mais um membro: “Deixou os pais Bill e Kim Kuhlmeyer, Mark Purmort (Patricia, Autumn Ali), as irmãs Erika e Nicole, a primeira mulher Gwen Stefani, e a atual Nora e filho Ralph que irá crescer para vingar a morte prematura do pai.”

E tal como o Homem-Aranha, Aaron conseguiu por em prática a sua máxima “com grande poder vem grande responsabilidade”, agora não será apenas lembrado pela família e pelos amigos: a última história que contou ao filho no Star Tribune será lembrada por todo o mundo.