O escritor Mario Vargas Llosa disse este domingo que a “imprecisão” do programa do partido espanhol Podemos é uma “maneira de manter unida” uma “comunidade que é muito diversa” e que também “se poderá fragmentar”.

Numa visita à exposição “A Sua imagem. Arte, cultura e religião”, patente no Fernán Gómez-Centro Cultural de la Villa, em Madrid, o Prémio Nobel de Literatura afirmou que o Podemos “nasceu como uma reação a uma crise que tem sido brutal e exigiu grandes sacrifícios ao povo espanhol”.

Vargas Llosa afirmou que o partido liderado por Pablo Iglesias tem uma “uma origem antissistema” e “nasceu” num “período em que há muitas denúncias de corrupção”.

“Essas denúncias causaram uma enorme desmoralização e irritação no cidadão comum, e eu acho que isso explica a popularidade de um movimento que é muito confuso, porque até agora não temos nenhuma ideia clara do que é o seu programa. Eu acho os próprios líderes estão com muitas dúvidas”.

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A este respeito, Vargas Llosa, que obteve a nacionalidade espanhola em 1993, afirmou que “o que importa” é “lembrar que a Espanha vive graças à democracia e à liberdade” um “período de civilização e de convivência que nunca, na sua história, viveu antes”.

“Seria uma verdadeira tragédia que isso se perdesse e houvesse um regresso às velhas ideias do caudilhismo, da utopia, ou seja, de tudo o que está por detrás do populismo, que é o grande inimigo da liberdade no nosso tempo”, disse.

Quanto à exposição, o escritor, feito marques pelo Rei Juan Carlos, reconheceu seu caráter “educativo” e enfatizou que é “muito necessária num tempo de ascensão de visões muito fragmentárias locais que faz esquecer aquele que é o denominador comum da cultura europeia, e da civilização ocidental, noticiou a Efe.