O “Ezadeen”, navio abandonado com bandeira da Serra Leoa, abandonado pela tripulação na quinta-feira, com 450 imigrantes, chegou na noite de sexta-feira ao porto italiano de Corigliano, na costa sudoeste de Itália. A embarcação, de 73 metros, foi escoltada pela Marinha italiana e atracou no porto das 22 horas portuguesas. Vários jornais italianos publicaram imagens e vídeos das condições a bordo do navio, que mostram centenas de pessoas sentadas e deitadas no chão, rodeadas por cobertores.

As autoridades italianas, sem detalharem a nacionalidade ou o género, confirmou que estão 450 pessoas a bordo — homens, mulheres e crianças –, que a imprensa italiana avança serem, na maioria, sírias. O navio tinha sido detetado a cerca de 150 quilómetros ao largo de Crotone, na Calábria.

A Guarda Costeira italiana adiantou que o Ezadeen tinha partido da Turquia. Porém, o site especializado em tráfego marítimo marinetraffic.com contrapõe que a embarcação teria saído do porto cipriota de Famagusta, situado na zona sob controlo turco, depois de ter partido de Tartus, na Síria.

Dois dias antes, outro cargueiro foi também abandonado pela tripulação: o Blue Sky M, que transportava cerca de 800 pessoas. Este navio, com registo moldavo, chegou na quarta-feira ao porto de Gallipoli.

Há vários anos que a Itália assiste a um fluxo crescente de migrantes que procuram chegar à Europa, pelo Mediterrâneo, com risco da própria vida, a um ritmo de 400 chegadas por dia. Mais de metade destes migrantes são sírios ou eritreus. Estes dois casos ocorridos em quatro dias podem denotar uma nova estratégia dos traficantes de imigrantes para fazerem chegar pessoas a território europeu. O Observador dedicou um texto a este tema.

A grande maioria chega em barcos pneumáticos ou pesqueiros velhos, saídos da Líbia, onde o caos que se seguiu à queda de Kadhafi deixa o campo livre aos traficantes. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) sublinhou na sexta-feira que os traficantes parecem ter optado por ‘economias de escala’ que lhes permitem ganhos avultados com uma única viagem e uma única nacionalidade.

Com pagamentos de mil a dois mil dólares (833 a 1,7 mil euros), uma viagem como a do Blue Sky M pode render cerca de um milhão de dólares, o que permite alugar navios e tripulações, segundo a OIM.