Entre esta terça e quarta-feira, na Madeira decide-se quando vão os madeirenses escolher o sucessor de Alberto João Jardim. A preferência é para que seja o mais rápido possível, de preferência a 29 de março. Na próxima semana, o calendário deverá ficar fechado com o Presidente da República a convocar um Conselho de Estado para marcar a data das eleições no arquipélago. A antecipação de eleições é a escolha dos partidos que se posicionam para negociações posteriores ao primeiro escrutínio pós-maiorias absolutas do jardinismo.

Pela Madeira, CDS e PS tratam-se com pinças. A oposição acredita que o PSD vai perder a maioria absoluta e por isso as críticas são feitas com pés de lã, não vá o resultado eleitoral tecer uma coligação (ou acordos pontuais) entre socialistas e centristas. Por enquanto, os dois partidos vão dizer ao representante da Presidência da República na Madeira que querem eleições antecipadas a 29 de março, 66 dias depois da demissão de Alberto João Jardim.

Por Belém, Cavaco Silva ainda terá de ouvir os partidos nacionais e convocar o Conselho de Estado – onde já estará de volta Vítor Bento, como noticiou o Observador, mas, tendo em conta a pressa dos madeirenses, o caso da marcação das eleições deverá ficar decidido para a semana. Aliás, já esta segunda-feira à tarde foi publicado em Diário da República em suplemento a exoneração de Alberto João Jardim.

O representante da República para a Região Autónoma da Madeira, Ireneu Cabral Barreto, vai começar a ouvir os partidos já esta terça-feira e os restantes na quarta. PS, CDS e PSD ficam para o fim, mas já têm o discurso preparado.

Ao Observador, Victor Freitas, líder do PS da Madeira, diz que vai pedir a antecipação das eleições para dia 29 de Março e quando questionado sobre coligações futuras caso não haja uma maioria absoluta na Madeira, lembra que os socialistas já vão repetir a coligação pré-eleitoral que os levou à vitória na Câmara Municipal do Funchal. E se um acordo com o PSD está fora de questão, já com o CDS pode não ser bem assim. “Uma coisa é certa, não farei coligação com o PSD sobre que pretexto for. Em relação a acordos pontuais estaremos dispostos. Quanto ao CDS, a seu tempo veremos o que ditam os resultados das eleições”.

E o CDS responde com a mesma suavização de discurso de quem não quer estragar entendimentos futuros, caso haja uma derrocada eleitoral na Madeira e Miguel Albuquerque não consiga a maioria absoluta que Jardim repete há quase 40 anos. Os centristas também vão defender eleições a 29 de março. Ao Observador, José Manuel Rodrigues desabafa: “Era bom que não se repetisse a maioria absoluta para obrigar a entendimentos com outras forças políticas. Não fecho a hipótese de nenhum entendimento pós-eleitoral, excluindo os partidos extremistas”. Ou seja, o CDS tanto pode acordar com o PSD de Albuquerque, como chegar a acordo com o PS de Freitas.

A pressa da oposição na marcação de eleições é só uma: o trabalho de Alberto João Jardim no governo de gestão. Aos jornalistas, depois de ter apresentado a demissão, Jardim disse que o trabalho do governo regional em gestão não está condicionado, o que preocupa tanto o PS como o CDS. José Manuel Rodrigues teme que “no passado, a Madeira já teve um governo de gestão que violou a lei” e de assim ficar “ao serviço da campanha eleitoral de um partido”.

Certo é que na campanha eleitoral que se avizinha, um dos temas a pressionar os partidos, sobretudo o PSD, será o Programa de Assistência Financeira assinado por Jardim.

Nos próximos dias, o arquipélago vai conhecer mais novidades: o Ministério das Finanças vai divulgar o relatório de cumprimento do programa.