Duas cadeiras, uma sala de estar, cortinas fechadas e quase transparentes, com pouco filtro para um jardim com piscina, relva e uma baliza, em Madrid. Ambiente descontraído, tranquilo e, como se queria, à vontade. Assim foi embrulhada a conversa entre Marcelo Rebelo de Sousa, o professor feito comentador, e Cristiano Ronaldo, o futebolista elevado na segunda-feira, pela terceira vez, a melhor jogador do mundo. E falou-se de tudo: de talento, regras, do “Cristianinho”, dos portugueses, do seu “pessimismo” e de como é viver sendo e querendo ser o melhor.

Foram mais de 15 minutos de perguntas e respostas. De muitas opiniões, vindas de ambos, e de temas que, mesmo prometendo, nem sempre conseguiram afastar do futebol. O vídeo foi esta quarta-feira mostrado pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) no Centro de Congressos do Estoril, onde, até quinta-feira, se realiza o ciclo de conferências “Football Talks” — por obra do centenário da entidade.

Pelo meio da conversa ouviu-se Ronaldo dizer que “a sorte dá trabalho” e que faz coisas, todos os dias, para “manter o nível até aos 35 ou 36” anos — e permanecer na “crista da onda”, como definiu Marcelo Rebelo de Sousa. “Podia dizer: ‘Já ganhei tudo, estou bem na vida, não tenho que me chatear por isto ou por aquilo. Mas não”, chegou a dizer o três vezes vencedor da Bola de Ouro (2008, 2013 e 2014).