Uma saída da Grécia da zona euro continua a ser um cenário menos provável do que no pico da crise da dívida, em 2012. Na opinião da Moody’s, este é um cenário “relativamente improvável”. Mas, a acontecer, seria algo capaz de criar uma recessão nos outros países da zona euro e “seria um momento determinante para o euro. Mostraria que a união monetária é divisível e não irreversível“, afirma a agência de “rating” em comunicado publicado esta quarta-feira. No mesmo dia, um responsável de outra agência, a Fitch, disse que uma saída da Grécia causaria um contágio “significativo” aos outros países.

A agência Moody’s está tudo menos otimista de que a zona euro sobreviveria caso a Grécia abandonasse a união monetária, como terão defendido fontes próximas de Angela Merkel citadas pelo artigo da Der Spiegel publicado há semana e meia. “Qualquer saída da moeda única seria um momento determinante para o euro. Mostraria que a união monetária é divisível e não irreversível”, afirmou a agência num relatório em que defende que o risco de saída da Grécia é credit negative (“negativo para o risco de crédito”) para os outros países da zona euro. Isto apesar de “os riscos de contágio serem significativamente mais baixos do que no pico da crise”, já que “os líderes políticos têm agora ferramentas mais fortes para limitar os danos de um tal evento”.

Mostrar que a zona euro é, afinal, reversível poderia esvaziar as palavras de Mario Draghi, que, em julho de 2012, quando garantiu que o BCE faria “tudo o que for necessário, dentro do mandato, para preservar o euro”, fez acompanhar essa declaração da garantia de que “o euro é irreversível”. A Moody’s teme o possível efeito negativo de um acontecimento que colocasse em questão essa garantia e a credibilidade de Mario Draghi.

Além disso, apesar de um choque inicial para a economia grega em caso de saída da zona euro, “no longo prazo, o crescimento económico na Grécia poderia ultrapassar o [crescimento] dos outros países da zona euro. O que, por sua vez, poderia levar a mais discussão em torno de outras saídas“, escreve Colin Ellis, analista da Moody’s.

A Fitch tem uma posição semelhante. Também esta quarta-feira, mas pela voz de Ed Parker, diretor da Fitch Ratings que participou numa conferência em Frankfurt, a agência de “rating” defendeu que uma saída da Grécia da zona euro causaria um contágio “significativo” no que diz respeito à confiança de investidores em obrigações e depositantes em outros países da zona euro.

“Seria uma visão muito otimista acreditar que um precedente deste género, de um país a sair da zona euro, não teria um impacto na integridade da moeda única“, afirmou Ed Parker. “Esse não é, claramente, o cenário que vemos como mais provável”, diz o responsável.