Se é cientista e acha que não tem tempo a perder nas redes sociais, ou se acha que a sua atividade nas redes pode ser criticada pelos colegas, então este artigo é para si. Mas caso não seja cientista, aproveite para ler também. As regras e dicas nas redes sociais podem ser aproveitadas e adaptadas por quem faça uso profissional ou até pessoal destas ferramentas – mantenha o perfil atualizado, coloque sempre uma fotografia, não escreva nada que não deseje ver espalhado pela internet e responda aos seus leitores.

O livro digital “Redes Sociais para Cientistas“, lançado esta segunda-feira, pretende “abrir o apetite para que os investigadores possam explorar as redes sociais e usá-las no seu trabalho de divulgação e promoção da ciência que vão fazendo”, diz ao Observador António Granado, um dos autores e professor na Universidade Nova de Lisboa (UNL). Esta compilação de ideias resulta de um curso com o mesmo nome da Escola Doutoral da UNL.

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Ana Granado/Redes Sociais para Cientistas

“As redes sociais permitem aos cientistas dar a conhecer o seu trabalho, não só dentro da comunidade científica mas também fora dela”, explica ao Observador Ana Sanchez, também autora do livro e responsável pelo gabinete de comunicação do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB). “Tal como em outras áreas, as redes sociais permitem aumentar e fortalecer redes de contactos e são uma boa maneira de estar a par das novidades que vão surgindo na área.”

Profissionais em rede

Existem redes profissionais, como o Linkedin que funciona como um currículo dinâmico, onde se pode mostrar as recomendações de pessoas com as quais já se trabalhou. Mas para quem trabalha em ciência, existem outras ferramentas que permitem dar mais visibilidade ao trabalho que se desenvolve, como a Academia.edu ou o ResearchGate.

O Google Scholar, muitas vezes usado como um motor de busca para artigos científicos, embora não funcione exatamente como uma rede social, permite perceber como os artigos estão dispersos na rede. Faz gráficos ao longo do tempo com o número de artigos/ano ou número de citações/artigo, permite ainda que cada utilizador fique ligado aos coautores do seus artigos, seguir o que eles vão publicando ou citando, referem os autores no livro.

LIONEL BONAVENTURE/AFP/Getty Images

Lionel Bonaventure/AFP/Getty Images

Juntar toda a informação útil

As ferramentas que permitem agregar informação diversa podem ser usadas pelas instituições e pelos cientistas para divulgar o trabalho que realizam. “As redes sociais também permitem aproximar o público dos cientistas, já que através delas podem entrar em diálogo direto”, diz ao Observador Joana Lobo Antunes, também autora do livro e diretora do centro Ciência Viva de Sintra. A investigadora na UNL e ITQB acrescenta ainda que, enquanto fazem um esforço para comunicar com o público leigo, os cientistas são obrigados a olhar para o seu trabalho de um outro ângulo e descobrir novas abordagens.

Mas para uma ferramenta de agregação se tornar útil e apelativa tem de estar bem organizada. “Tal como na curadoria de exposições, há três etapas na agregação de conteúdos que devem ser otimizadas para tornar o conjunto relevante: encontrar conteúdos (saber onde procurar), dar sentido aos conteúdos (selecionar, organizar e contextualizar), e partilhar os conteúdos organizados para que outros beneficiem da organização dada ao conjunto”, lê-se no livro. Mas o primeiro passo é escolher o tópico.

Entre as plataformas de agregação, a mais conhecida e utilizada será o Pinterest (“Pin your interests”, “Afixa os teus interesses”), que funciona como “um grande quadro de cortiça digital onde se afixam imagens que servem de links a conteúdos espalhados na web”. O Bundlr é muito semelhante ao Pinterest, com a vantagem de que não obrigada a que o conteúdo a agregar tenha uma fotografia. Com o Scoop.it, além de ser possível criar etiquetas e agrupar os temas, também pode enviar uma newsletter com o resumo dos conteúdos adicionados.

Manter um blogue de ciência

Os blogues de ciência podem ser de três tipos principais: o do aluno de doutoramento que relata os progressos, o da equipa de investigadores que apresenta o dia-a-dia no laboratório ou os resultados da investigação, ou o dos comunicadores de ciência que versam sobre temas diversos.

Escolha o seu blogue, o tema (ou temas) sobre o qual quer escrever e o seu público-alvo. E comece a alimentar a página. WordPress é, segundo os autores do livro, uma das ferramentas mais utilizada, mas apontam outras opções como Blogger, Typepad ou Tumblr.

KIMIHIRO HOSHINO/AFP/Getty Images

Kimihiro Hoshino/AFP/Getty Images

Os cientistas nas redes sociais

O Facebook é um exemplo de rede social, mas, mesmo quando criada sem interesse profissional, há informação que fica disponível e que pode ser vista pelos leitores, colegas e atuais ou futuros empregadores. Não publique nada que não queira ver espalhado pela rede.

Para interagir rapidamente com a comunidade científica, para seguir ou participar numa conferência científica ou para procurar colaborações ou divulgar os resultados da investigação, o Twitter pode ser uma boa opção. “Quer investigue sobre história ou sobre biologia, há certamente boas fotos que pode tirar e partilhar com os seus seguidores”, dizem os autores no livro, e apontam o Instagram como uma forma de o fazer.

Os cientistas podem usar as várias ferramentas na Internet para comunicarem o seu trabalho dentro da comunidade científica, para um público não especialista ou até para os jornalistas. “O jornalismo não vive sem fontes, e quanto melhores forem as nossas fontes melhor jornalismo podemos fazer”, refere António Granado, antigo jornalista de ciência. “Se os cientistas usarem as redes sociais para divulgar o seu trabalho, os jornalistas terão certamente acesso a muito mais e melhor informação sobre o que se está a fazer nos diversos campos.”

O livro pode ser descarregado gratuitamente aqui.