Pedro Passos Coelho está pouco confiante no caminho agora escolhido pelos gregos ao elegerem Alexis Tsipras como primeiro-ministro. O chefe do Executivo português diz que aquilo que está no programa do governo grego que vai tomar posse “é um conto de crianças. Não existe” e terá dificuldades em conciliar-se com as regras europeias.

Aos jornalistas, o primeiro-ministro comentou as eleições gregas sobretudo numa perspetiva europeia. E insistiu que o caminho que os países devem seguir é o do cumprimento das regras europeias porque sem elas, “não existira euro nem União Europeia”. Passos falava sobretudo da intenção do Syriza de renegociar a dívida pública.

Passos deu o exemplo, português, irlandês e espanhol para dizer que se estes países tivessem optado por não seguir o programa, “qualquer outro país sentiria que poderia ter o défice que quisesse, baixar os impostos, aumentar o rendimentos e ainda assim não ter nenhum problema com isso. É um conto de crianças. Não existe”.

A receita grega é para o primeiro-ministro uma ilusão que esbarrará nas regras europeias. Disse Passos que “tem de ser reconhecido por toda a Europa que os gregos têm feito um esforço imenso para poderem recuperar”, mas que o que se passa é que o novo Governo vai ter de negociar com as “instituições financeiras” para saber se “fecha o seu programa e consegue atingir os objetivos – e isso depende do próprio Governo, ninguém impõe aos governos seja o que for; agora não podem é impor as outros as suas condições”.

E é neste ponto que Passos acredita que a Grécia não conseguirá impor à Europa outra visão até porque “é sabido” que o programa do Syriza, “tem muitas dificuldades em ser conciliado com as regras europeias. O meu desejo é que seja possível conciliar, porque nós reconhecemos o enorme esforço que os gregos fizeram e esperamos que a Grécia se possa manter como um parceiro europeu da mesma moeda e da União Europeia. É esse o meu voto sincero”.

Falando especificamente da renegociação da dívida pública, Passos insistiu: “É possível um que um país, por exemplo, não queira assumir os seus compromissos, não pagar as suas dívidas, querer aumentar os salários, baixar os impostos e ainda ter a obrigação de, nos seus parceiros, garantir o financiamento sem contrapartidas”. Até porque, lembrou, “a troika não pede para ir aos países”.

O chefe do executivo PSD/CDS-PP argumentou ainda que “a Europa não tem seguido políticas de austeridade ou deixa de seguir”, o que acontece é que há países europeus que “precisam de corrigir as suas situações de desequilíbrio orçamental”.

E como é que o que aconteceu na Grécia pode influenciar Portugal?

Para o primeiro-ministro, a questão coloca-se ao contrário: Portugal tem de seguir o caminho porque só cumprindo as regras conseguiu mostrar que tem credibilidade. Disse Passos:

“A razão por que conseguimos ter hoje credibilidade para poder ter financiamento foi porque fizemos um esforço muito grande e mostrar que cumpriríamos as nossas obrigações. Se tivéssemos seguido um caminho oposto, a Europa já se teria desintegrado”.

Nas respostas aos jornalistas, o chefe de Governo fez questão de dizer que Portugal não é a Grécia e começou logo pela situação atual. Disse Passos que Portugal já fechou o programa de ajustamento, e a Grécia pode ir a caminho do terceiro. E que a diferença se deve ao facto de o país não ter seguido a estratégia socialista.

“Se não estamos nessa situação deve-se ao facto de não termos seguido os conselhos do PS. A estratégia que o PS tem reivindicado para Portugal, infelizmente, é uma estratégia muito semelhante à do Bloco de Esquerda – que era de suscitar a renegociação do programa. Não fechámos o programa de assistência o ano passado por termos seguido a estratégia do PS, antes pelo contrário. E isso deixa-me confortável, porque não estamos a seguir o caminho que nos leva ao passado”.