Em declarações à agência Lusa, a propósito do Dia Mundial das Vítimas do Holocausto, que hoje se assinala, Esther Mucznik adiantou que esses sinais são visíveis por exemplo nos recentes atentados terroristas contra o semanário satírico francês Charlie Hebdo e contra um supermercado judaico, em Paris. “Apesar do contexto histórico ser completamente diferente […]a verdade é que há elementos comuns. Por exemplo, no facto de pessoas se arrogarem o direito de decidir quem deve partilhar o planeta em que todos vivemos seja em nome do nacionalismo, seja em nome de Deus, seja em nome da religião”, disse a vice-presidente da comunidade judaica de Lisboa.

“É um fenómeno que agora aconteceu em Paris, mas que tem acontecido ao longo das décadas e foi levado a um extremo no século XX com o Holocausto”, acrescentou. “Na verdade continuam a existir grupos humanos que consideram que tem o direito de tirar a vida a outros por diferentes razões”, sublinhou a presidente da associação Memoshoa, que promove em Portugal o Dia de Memória do Holocausto.

O Dia de Memória do Holocausto assinala o dia da libertação, em 1945, do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polónia, e foi aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas há uma década.

Para Esther Mucznik, no ano em que passam 70 anos da libertação do campo e do final da II Guerra Mundial (em maio do mesmo ano), importa “lembrar o passado, pensando no presente e no futuro”. “O que é importante é conseguirmos, através desse conhecimento, refletir sobre o que aconteceu e perceber se na atualidade, em todas as tragédias que infelizmente têm continuado a acontecer, não há algo da terrível continuidade que levou ao Holocausto. Ou seja, se não há pontos comuns que sirvam da alerta”, sublinhou.

A 27 de janeiro de 1945 as forças soviéticas libertaram o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, que se tornou num símbolo do Holocausto, que terá custado a vida a cerca de seis milhões de judeus. Em novembro de 2005, as Nações Unidas aprovaram uma resolução para marcar o dia 27 de janeiro como o Dia Internacional em Homenagem às Vítimas do Holocausto e apelou aos países para que promovam programas educativos para transmitir a memória desta tragédia.

Cerca de 80 países, incluindo Portugal, assinalam oficialmente a data. Em Portugal, a Assembleia da República acolhe a exposição “Holocausto – Não foi uma brincadeira de crianças”, uma mostra itinerante do Museu Yad Vashem, de Jerusalém, que relata o quotidiano das crianças nos campos de concentração nazis.

O programa prevê ainda a apresentação, pela Escola de Música do Conservatório Nacional, da ópera Bundibar, originalmente levada ao palco por crianças do campo de concentração de Theresienstadt, na então Checoslóvaquia ocupada, e da peça de teatro “As mãos de Abraão Zacut, de Luís de Sttau Monteiro, pelos alunos de um agrupamento de escolas de Portalegre.

Além das comemorações oficiais na Assembleia da República, várias escolas e instituições de todo o país irão assinalar este dia.