António Costa

“Única lição” que Costa tira da Grécia é que o PS “não é nem será o PASOK”

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Depois da vitória do partido de esquerda radical nas eleições gregas, Costa não nega colagem ao Syriza. Afinal, só tem uma certeza: o PS não é o PASOK.

Costa discursou no início da comissão nacional do PS em Setúbal

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Afinal, António Costa não é nem deixa de ser Syriza. A única certeza que tem é que o PS não quer ser equiparado aos socialistas do PASOK. “A única e verdadeira lição que tiramos da Grécia é que o PS em Portugal não é nem será o PASOK”. Porquê? “Porque não estamos cá para seguir as políticas de austeridade que têm sido seguidas, mas sim para criar uma alternativa”, disse durante a abertura da Comissão Nacional do PS, que decorre este sábado em Setúbal.

Para o secretário-geral socialista, que nos últimos dias tem sido alvo de várias tentativas de colagem ao Syriza, é preciso elevar o debate “democrático” à escala europeia de forma a “travar a austeridade”, mas isso não passa necessariamente pela via radical escolhida pelos gregos. Não é preciso olhar para o novo governo grego para tirar lições sobre a “necessidade de mudança”, disse. Basta para isso olhar para o “velho governo irlandês”, que desde cedo se bateu para que a mudança fosse “vasta, consistente e servisse os interesses nacionais”, continuou António Costa num discurso muito aplaudido pelos socialistas, onde não se ouviu a palavra Syriza.

“Não é uma questão de ser ou não ser radical, de ser de esquerda ou de direita”, disse em resposta às críticas sobre a alegada aproximação socialista à esquerda dita radical. “É uma questão de ser patriota e de ter ou não ter as atenções centradas na defesa dos interesses nacionais”, rematou, afirmando que não é só a Europa que precisa de mudanças, mas também Portugal.

Uma coisa é certa. É preciso uma alternativa europeia, que tem que começar por uma mudança nacional, afirmou. Caso contrário, disse, “se as alternativas não surgirem dentro dos defensores do euro e da Europa”, o perigo é maior, porque irão surgir de fora, não entre os “defensores da democracia e do euro” mas entre “os inimigos da Europa” e os “defensores do radicalismo”. O terramoto eurocético e as votações expressivas em partidos da extrema-direita que marcaram as eleições europeias de maio de 2014 poderão ser prova disso.

Segundo Costa, é o atual Governo de Pedro Passos Coelho que está em contra-ciclo com a tal “mudança” que diz ser necessária. Isto porque, disse Costa aos socialistas, Passos “não se bate por alterações” no sentido do crescimento económico, apresentando como “falhanços” do Governo os exemplos dos dados ontem divulgados pelo INE sobre o aumento do risco de pobreza, que segundo Costa deitam por terra a tese do Governo de que “desta vez não foi o mexilhão que se lixou”, assim como os dados do INE sobre as perspetivas económicas para 2015, onde está prevista uma redução do investimento em Portugal.

PS não quer ser vacina

Recordando a história do PS português, que “deve honrar e servir de exemplo” ao PS de hoje, António Costa lembrou o percurso e as lutas socialistas travadas desde 1975 para dizer que várias vezes no passado houve tentativas de que a experiência portuguesa pós-25 de abril fosse uma “vacina” para o resto do mundo. Mas, afirmou Costa, desta vez não haverá vacinas, afastando por isso a ideia de que a vitória contra-corrente do Syriza na Grécia vá funcionar como remédio na Europa. “Não estamos disponíveis para apoiar vacinas na Europa”, sublinhou.

“Também nos recordamos que em 1975 havia alguns que queriam que a experiência portuguesa fosse uma vacina contra a deriva totalitária na Europa, e aquilo que o PS fez foi bater-se para que Portugal não fosse uma vacina mas mostrar que era possível um novo ciclo de viragem na política europeia”, disse, lembrando que a adesão de Portugal à CEE foi assinada por Mário Soares e Jaime Gama, o que faz com que “o PS seja o partido campeão da integração europeia em Portugal”.

Costa terminou a intervenção dizendo que 2015 será um ano “decisivo”, com desafios diferentes dos que havia há 30 ou 40 anos, mas onde igualmente importantes. “Se há 40 anos o desafio era a liberdade e a democracia, e há 30 era a Europa, hoje o desafio é do desenvolvimento a sério com base na qualificação e não com base na ideia de que é empobrecendo que nos podemos desenvolver”, disse.

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