A liderança política da localidade de Rotherham, no norte de Inglaterra, demitiu-se em bloco esta quarta-feira na sequência de um escândalo sexual que ocorreu entre 1997 e 2013 na cidade onde cerca de 1.400 raparigas, menores, foram espancadas, violadas e utilizadas para tráfico sexual.

Um relatório independente publicado esta quarta-feira, que concluía que as autoridades locais “não são aptas”, uma vez que foram incapazes de prevenir a exploração sexual das 1.400 raparigas durante cerca de 16 anos por grupos de homens sul-asiáticos, está na origem da demissão do gabinete do Partido Trabalhista inglês.

“Sejam quais forem os pormenores, somos a liderança política e temos de nos responsabilizar. Anunciamos a nossa intenção de renunciarmos às nossas posições”, lê-se num comunicado a que o Telegraph teve acesso.

O ministro das Comunidades, Eric Pickles, cujo gabinete encomendou o relatório, anunciou pouco depois que “a liderança totalmente disfuncional” do concelho de Rotherham seria substituído por comissários governamentais e acrescentou que irá convocar eleições antecipadas para 2016 na localidade.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Em agosto de 2014, tinha sido divulgado um relatório que dava conta dos abusos sexuais decorridos entre 1997 e 2013 e que sublinhava que as autoridades locais tinham ignorado uma série de pistas. Nessa altura, algumas vítimas testemunharam terem sido regadas com gasolina e ameaçadas de serem queimadas vivas caso denunciassem os abusos. Algumas foram obrigadas a assistir a violações. Segundo o New York Times, em mais de um terço dos casos, as vítimas estavam registadas em agências de proteção de menores, mas a polícia e o poder local foram incapazes de agir.

Depois da divulgação desse relatório, em agosto, o líder do governo local, Roger Stone, demitiu-se, assumindo responsabilidade pelos falhanços das autoridades.

As vítimas eram, na maioria, jovens brancas, que foram atacadas por homens identificados como sendo de origem sul-asiática. Segundo o New York Times, alguns agentes da autoridade que lidaram com os casos ao longo dos anos consideraram que os assistentes sociais estavam a exagerar e temeram acusações de racismo.