O presidente da Rússia, Vladimir Putin, culpou, esta segunda-feira, o Ocidente pela crise que se está a viver na Ucrânia. Esta e outras declarações foram feitas durante uma entrevista ao diário egípcio Al-Ahram, antes de o chefe de Estado iniciar uma viagem de dois dias pelo Egito, com o objetivo de consolidar a sua aliança com o regime do general Abdel Fattah al-Sissi.

“A crise surgiu em resposta às tentativas dos Estados Unidos e dos seus aliados ocidentais, que se consideram os vencedores da Guerra Fria, de impor a sua vontade em todo o mundo”, acrescentou logo de seguida Putin que lembrou, por exemplo, as promessas de não-expansão da NATO para Leste, que “acabaram por ser declarações ocas”. “Vemos como a infraestrutura da NATO se foi aproximando cada vez mais das fronteiras russas e como os interesses da Rússia têm sido ignorados”, rematou Putin.

“A crise na Ucrânia não foi causada pela Rússia”, afirmou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, acrescentando ainda que agora a prioridade é “um cessar-fogo imediato”.

O Presidente russo criticou também a parceria da União Europeia com os países do Leste, dizendo que se tratou de “uma tentativa de afastar da Rússia os Estados que fizeram parte da antiga União Soviética, levando-os a fazerem uma escolha artificial entre a Rússia e a Europa”. Segundo Putin, as consequências estão à vista. A crise ucraniana é uma delas. ” Nós repetidamente advertimos os Estados Unidos e os seus aliados ocidentais sobre as consequências nefastas da sua interferência nos assuntos internos da Ucrânia, mas eles não ouviram a nossa opinião”, rematou.

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Putin viajou acompanhado dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa e ainda com um grupo de empresários, o que leva a crer que o encontro bilateral não tem apenas uma dimensão política, mas também económica e militar. Há meses que se especula sobre a assinatura de um contrato de venda de armas russas ao Egito, embora nunca se tenha confirmado. Além da cooperação militar, as trocas comerciais deverão também ser um dos pontos deste encontro. Até porque a Rússia, segundo imprensa local, aspira a entrar no setor da energia naquele país que tem recorrentes falhas de eletricidade.

Esta segunda-feira, os 28 estados-membros da União Europeia decidiram adiar a aprovação da extensão das sanções a 19 novos nomes e nove empresas para a próxima segunda-feira, de forma a não atrapalhar a reunião, da próxima quarta-feira em Minsk, entre a Rússia, a Ucrânia, a Alemanha e a França.