O governo brasileiro lançou uma campanha esta semana para promover o sexo seguro no Carnaval através de perfis falsos nas aplicações Tinder e Hornet, avançou o jornal Estadão. Segundo Arthur Chioro, ministro da Saúde, a ação tem como objetivo atingir o público jovem que aceita ter relações sem preservativo, sobretudo nesta época do ano.

“Precisamos chegar ao público jovem, tanto o hetero como o homossexual, numa linguagem direta, que convoque jovens e adolescentes para usar preservativo, fazer o teste [VIH] e, se der positivo, fazer o tratamento. É preciso usar esta linguagem nos meios de comunicação que essa geração utiliza, onde ela tem suas relações e forma suas convicções de vida”, afirmou Chioro.

A campanha desenvolveu-se nas cidades de Rio de Janeiro, Brasília e Salvador e envolvia três rapazes e duas raparigas que se apresentavam nas aplicações como pessoas à procura de “sexo sem frescura, sem limites”. Uma das personagens da campanha chamada Alana avisa que “está a procurar homens e mulheres para sexo sem compromisso, preferencialmente sem preservativo”. A cada interação, o utilizador  interessado recebia uma mensagem direta sobre a importância do sexo seguro: “É difícil saber quem tem HIV. Se divirta, mas se proteja. Esta é uma ação do Ministério da Saúde. Pense nessa dica e #PartiuTeste! ;)”.

O vídeo abaixo mostra como a campanha funcionava:

Conforme avança o jornal brasileiro, os cinco perfis falsos receberam mais de duas mil interações. Alguns utilizadores reconheceram que necessitavam de fazer o teste e agradeceram o conselho, enquanto outros não acreditaram que se tratava de uma ação do Ministério da Saúde.

“Os jovens de hoje não têm mais a visão da dramaticidade que foi a epidemia de HIV na população. Além de já não terem mais a mesma dimensão, adotaram hábitos sexuais mais liberais. Temos de estender a estratégia de incentivar o sexo seguro para a prática do teste regular e o início do tratamento imediato. Porque ao anular a carga viral, interrompe a transmissão. Tratamento passa a ser prevenção”, afirmou Chioro.

Rosette Pambakian, vice-presidente de comunicação corporativa e de marca do Tinder, avisou ao ministério através da sua conta no Twitter que apagaria os perfis falsos da aplicação. No entanto, conforme avança o site The Verge, Pambakian teve de eliminar a publicação devido às respostas negativas que recebeu pelo comentário.

tweet_tinder

Já Armand du Plessis, porta-voz da aplicação Hornet, disse ao jornal Le Figaro que não apagaria os perfis falsos da campanha, mesmo que as condições de uso do serviço proíbam os utilizadores de “personificar qualquer pessoa ou entidade”. No entanto, du Plessis reconhece que esta é uma boa iniciativa e que gostava de trabalhar com o governo brasileiro para melhorar a campanha.

Quanto às críticas sobre o uso indevido das aplicações, Arthur Chioro explicou que a campanha não tinha fins comerciais e por isso não pode ser classificada como publicidade.

De acordo com o Ministério de Saúde do país, 94% da população sabe que o preservativo é a melhor forma de prevenção, mas apenas 55% usaram proteção em relações sexuais casuais. Este dado coincide com o resultado de outra pesquisa que indica o crescimento de 33% de casos de Sida em 2013 entre jovens de 15 e 24 anos.