O ministro da Economia, António Pires de Lima, recusou nesta quarta-feira a ideia do PS de criar um fundo de capitalização para apoiar empresas endividadas. O governante diz que não vai usar o dinheiro dos contribuintes para aplicar em empresas, contudo, a ideia do PS fala não só de dinheiro público, mas também de dinheiro de investidores privados, gerido por uma entidade pública.

No debate desta quarta-feira à tarde sobre o estado da economia, o ministro da Economia quis matar à nascença a proposta do PS, que tinha sido apresentada por António Costa de manhã. Dizendo estar disposto a um “consenso patriótico” recusou, no entanto, um consenso que:

“Sirva para pegar no dinheiro do sr. contribuinte Manuel ou da sra. contribuinte Maria e através de uma entidade pública decidir que empresa – se na A, B ou C –  devem ser capitalizadas. (…) Propor a capitalização de pequenas e médias empresas através de fundos públicos, pode ser a via socialista, mas não é a via que defendemos. (…) Não creio que seja grande ideia usar fundos públicos para capitalizar empresas privadas. Não creio que esse seja um bom modelo”.

Em causa estava a proposta do PS de canalizar os fundos dos vistos Gold para um fundo de capitalização que serviria para apoiar empresas endividadas, mas viáveis, proposta de manhã por António Costa e referida novamente pelo deputado Pedro Nuno Santos, na Assembleia da República.

“Defendemos a criação de um fundo de capitalização, financiado pelos reembolsos dos fundos comunitários, por fundos públicos e via ‘vistos Gold’ reorientados para este fim, de forma a permitir capitalizar as empresas portuguesas e reforçar a sua autonomia financeira”, disse o deputado.

O ministro não se referiu à utilização de dinheiros privados geridos pelo público, como o caso dos vistos Gold. Referiu-se sempre – nas três vezes em que mencionou a proposta – como sendo apenas de utilização de fundos públicos.

Num debate em que os partidos e governo se focaram na herança de 2011, o ministro terminou pedindo um consenso para uma “proposta construtiva, para que reveja a sua proposta de mecanismos de capitalização das empresas” e para, “na reforma do IRC” dê mostras de “previsibilidade fiscal para aqueles que querem investir em Portugal”.