Um dia depois de Manuela Ferreira Leite ter ajudado a alimentar o longo tabu em torno dos “pré-candidatos” presidenciais, foi a vez de Marcelo Rebelo de Sousa reagir às declarações da ex-ministra das Finanças. O professor, também ele no lote de possíveis candidatos a Belém, afirmou que Ferreira Leite preenchia os “requisitos” para se juntar à corrida, mas garantiu que era um “exagero” dizer que a ex-ministra se encaixava “mais à esquerda”.

As palavras do professor de Direito não foram por acaso: a candidatura de Manuela Ferreira Leite foi lançada pelo ex-dirigente nacional do PS, Pedro Adão e Silva, que, num artigo publicado no Expresso, defendeu que António Costa, se vier a ganhar as eleições legislativas, tinha mais a ganhar em ter a ex-líder do PSD em Belém do que um Presidente da República da área política do PS.

A sugestão de Pedro Adão e Silva parece não ter caído em saco roto: se na altura, vários socialistas contactados pelo Observador não puseram de lado a hipótese “Ferreira Leite”, agora, conta o semanário Sol, o nome da ex-ministra aparentemente colhe mais apoios da ala esquerda do PS do que António Vitorino.

Quanto a Marcelo, o próprio reconheceu que a ex-ministra das Finanças “é muito independente nas opiniões que exprime” e que isso pode vir a ser uma “mais-valia” se Manuela Ferreira Leite decidir avançar. Mas isso não a coloca mais esquerda, fez questão de lembrar o comentador. “Se [Ferreira Leite] encaixa mais à esquerda ou não isso não sei. Acho que isso é um exagero. [Até porque] Manuela Ferreira Leite foi líder do PSD e está na área política do PSD”, sublinhou.

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Mais à esquerda ou mais à direita, “Manuela Ferreira Leite preenche vários requisitos para ser candidata [a Presidente da República]”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa. Quais? Desde logo, “tem mais de 35 anos e está no gozo dos direitos políticos; segundo, tem uma magnífica carreira, académica, técnica e política – quer no partido, quer no Parlamento, quer no governo”, lembrou o professor. E se “a própria achou lisonjeira a referência”, então “preenche os requisitos”, disse o ex-líder do PSD.

Mas tal como Ferreira Leite o tinha feito na véspera, também Marcelo preferiu deixar para depois mais comentários sobre o tema. Neste momento, é ainda muito “prematuro” falar sobre Belém, rematou o social-democrata.