O ministro das Finanças da Grécia lamenta que a discussão na Europa esteja centrada num pretenso gesto impróprio de Varoufakis, que ainda não se apurou totalmente se aconteceu ou não, e critica o facto de esse vídeo ter inviabilizado “o que teria sido uma discussão construtiva na televisão alemã”. Num post no seu blogue pessoal, o grego diz que quer que se acabe com o “jogo tóxico de atirar culpas e com o apontar de dedos que apenas beneficiam os inimigos da Europa”.

Yanis Varoufakis quer acabar com a polémica em torno de “um certo vídeo” protagonizado pelo seu dedo do meio, vídeo que dominou as atenções na imprensa alemã esta semana, e, sem contribuir para esclarecer a polémica (no domingo tinha dito que o vídeo era “manipulado”), diz que esta questão só está a “virar nações orgulhosas umas contra as outras”. O grego quer que o foco se desloque para “o nosso interesse conjunto”, entre gregos e alemães.

E qual é esse “interesse conjunto”? “Como crescer e reformar a Grécia rapidamente, para que o Estado grego consiga reembolsar as dívidas que nunca deveria ter assumido, enquanto se preocupa com os seus cidadãos como qualquer Estado moderno deve fazer”. Yanis Varoufakis diz que “o acordo obtido no Eurogrupo a 20 de fevereiro oferece uma oportunidade excelente para seguir em frente. Vamos aplicá-lo imediatamente, tal como os nossos líderes pediram” na reunião de quinta-feira do Conselho Europeu.

O ministro das Finanças da Grécia repete que os chamados pacotes de resgate à Grécia não passaram de uma “cínica transferência de prejuízos dos balanços de bancos privados para os ombros dos cidadãos gregos mais frágeis”, porque “os gregos endinheirados já tinham enviado os seus depósitos para Frankfurt e para Londres”. Varoufakis argumenta que “90% dos 240 mil milhões que a Grécia recebeu foram para instituições financeiras e não para o Estado grego e para os seus cidadãos”.

O resultado foi, na ótica de Varoufakis, que a dívida se tornou “ainda mais insustentável” e, agora, está a “virar-se alemães contra gregos, gregos contra alemães e, eventualmente, a Europa contra si própria”. Para contrariar este rumo, o ministro grego quer que se “olhe para o futuro, além das tensões atuais, e se redesenhe a Europa para que alemães e gregos, bem como todos os europeus, possam imaginar a nossa união monetária numa dimensão de prosperidade partilhada”.