O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, promete que irá apresentar e aplicar “muito rapidamente” uma nova lista de reformas económicas. Uma lista que, sublinha, será “a nossa própria lista” de reformas, diz Alexis Tsipras, e não um conjunto de “medidas recessivas”. Foi esta a promessa deixada pelo responsável grego no final de uma reunião do Conselho Europeu em que esteve, à margem, reunido com Angela Merkel, François Hollande e Mario Draghi.

“Reiteramos o compromisso com o acordo atingido a 20 de fevereiro pelo Eurogrupo. Num espírito de confiança mútua, estamos todos comprometidos com a aceleração dos trabalhos [negociações técnicas com Atenas, que não estavam a correr bem] e a sua conclusão o mais rapidamente que for possível”, pode ler-se no comunicado conjunto divulgado no final da reunião de quinta-feira. “As autoridades gregas terão a responsabilidade de apresentar reformas e vão apresentar uma lista de reformas concretas nos próximos dias”, acrescenta o comunicado.

Na conferência de imprensa, o Presidente francês François Hollande acrescentou que “estas reformas têm de ser compatíveis com os compromissos assumidos pela Grécia”. Já Angela Merkel disse que “há um duro caminho pela frente” e que a Grécia deve “reformar o seu orçamento e trabalhar com o objetivo de, um dia, não precisar de ajuda”.

Em resposta, o grego Alexis Tsipras defendeu que “é claro que a Grécia não está obrigada a apresentar um conjunto de medidas recessivas”. Assim, promete que “a Grécia irá apresentar as suas próprias reformas, que irá depois aplicar”. Do que se sabe sobre as medidas que estão nos planos do governo grego, além das medidas para “combater a crise humanitária” aprovadas no Parlamento esta semana, Atenas pretende criar um fundo soberano para utilizar receitas de eventuais privatizações para pagar prestações sociais, algo que poderá não cair bem junto do Eurogrupo.

“Não haverá medidas de austeridade”

Já esta manhã de sexta-feira, o porta-voz do Governo grego afirmou que as reformas que o executivo vai apresentar aos parceiros europeus não contêm medidas de austeridade e serão baseadas na lista de propostas que o ministro das Finanças já apresentou.

“Não vamos aplicar medidas adicionais de austeridade que diminuam ainda mais as receitas”, disse Gavriil Sakelaridis, em declarações às televisões locais, citado pela agência noticiosa Efe.

O porta-voz governamental disse que isso não faz sentido em termos económicos, porque a sociedade “não pode apertar mais o cinto”, e destacou que há “outras maneiras de aumentar as receitas do Governo”. O governo grego tem dito que irá apostar na luta contra a evasão fiscal para equilibrar as contas públicas.

BCE não faz financiamentos-ponte

O que Alexis Tsipras não terá conseguido foi convencer Mario Draghi, o presidente do BCE, a reinstalar o regime de exceção que permitia aos bancos gregos financiarem-se nos leilões normais de liquidez do banco central apesar do “rating” de lixo. Sem esse regime de exceção, os bancos gregos estão limitados à plataforma de emergência cujo limite máximo o BCE voltou a aumentar esta semana mas menos do que a Grécia tinha pedido.

Uma fonte próxima de Mario Draghi citada pela Reuters diz que “cabe à Grécia cumprir os seus compromissos para obter mais dinheiro dos seus credores”. Acusado por Atenas de estar a “asfixiar” a Grécia, a mesma fonte diz que “o BCE não faz financiamentos-ponte”.

Alexis Tsipras desloca-se segunda-feira a Berlim para, a convite de Angela Merkel, numa altura em que o governo grego está sob pressão para acelerar as negociações técnicas. “Convidei o primeiro-ministro Alexis Tsipras para vir a Berlim na segunda-feira e estou feliz com a sua visita. Teremos tempo para falar um com o outro e provavelmente até para discutir”. A piada não escapou aos deputados do Bundestag, que reagiram com gargalhadas, acompanhadas de um sorriso discreto de Angela Merkel, um momento captado pelas câmaras.