A ministra da Agricultura e do Mar plantou, este sábado, diversas árvores em Vale de Cambra, numa iniciativa de reflorestação de áreas ardidas durante a qual apelou a parcerias entre pequenos proprietários e à diversificação da economia florestal.

Assunção Cristas começou por inaugurar a nova Rota dos Moinhos de Paraduça, constituída por cinco engenhos recuperados pela Junta Freguesia de Arões após um investimento de 15.000 euros, financiado pelo programa LEADER +.

Em seguida, a ministra circulou pelo casario rural da aldeia, experimentou iguarias locais ao som das cantadeiras locais e depois, com três dos seus filhos, deitou literalmente as mãos à terra para com eles plantar cerca de 15 árvores em parte dos quase três hectares de terrenos baldios que arderam em Paraduça em 2006 e 2010.

“Se for a contabilizar as minhas árvores e as dos meus filhos, nós já superamos a quota de participação”, contou Assunção Cristas à Lusa, por altura da sua 13.ª árvore. “Temos que deixar algumas para serem plantadas pelos voluntários”, acrescentou, em tom de humor.

A iniciativa da Câmara Municipal de Vale de Cambra e do Instituto de Conservação da Natureza e da Floresta envolve hoje 600 voluntários da comunidade regional e ainda os 500 participantes da prova de BTT “GPS Epic”.

“A plantação de árvores é uma fonte de benefícios para a sociedade, não só do ponto de vista económico, mas também do ambiente”, defendeu Assunção Cristas, referindo-se, por exemplo, ao sequestro de oxigénio e à filtração de água.

A governante realçou que a tutela tem reservados para ações nessas área 550 milhões de euros ao abrigo do PDR 2020 – Programa de Desenvolvimento Rural do Continente e, nesse contexto, apelou a que os pequenos proprietários estabeleçam parcerias entre si no sentido de “defenderem a floresta em conjunto”.

“É importante canalizar verbas para isso”, afirmou a ministra. “A nossa intenção é também diversificar aquilo que se retira das florestas [para efeitos de comercialização], porque a sua riqueza não é apenas a madeira e também o mel, as plantas, as ervas”, acrescentou.

Para esse efeito, a técnica florestal da autarquia de Vale de Cambra apontou como essencial a criação de zonas de compartimentação florestal que, em caso de incêndio, ajudem a delimitar o fogo.

“Esta área onde estamos a plantar hoje já ardeu duas vezes e por isso é que escolhemos para aqui espécies locais, autóctones: sobreiro, medronheiro, carvalho negral, carvalho roble e bétulas”, explica Vera Silva. “Estas árvores são folhosas, menos inflamáveis, e isso significa que, em caso de incêndio, representam uma redução de matéria combustível”, complementa.

Assunção Cristas observou que diversas entidades nacionais estão já a executar operações de manutenção nos terrenos florestais, na habitual estratégia de prevenção da época de incêndios.

“Temos, aliás, verbas e fundos para apoiar essas atividades e muitas delas são financiadas a 100%”, realçou.