A CNN conta a história do comandante que pilotava o voo que se despenhou a semana passada nos Alpes. O homem que tentou arrombar a porta do A320 e chamar à razão o copiloto homicida para salvar as 150 pessoas a bordo. Patrick Sondenheimer, 34 anos, o herói desconhecido que tentou fazer frente a Andreas Lubitz. De um pouco se sabe. Do outro já quase tudo se conhece.

Sondenheimer amava a filha, com seis anos e o filho, de três. Amava a mulher. E foi precisamente para estar mais perto da família que decidiu deixar a Lufthansa – onde esteve durante dez anos – e depois a Condor, para trabalhar na Germanwings, em maio do ano passado. Para continuar a pilotar. Porque também amava voar e tinha uma experiência de 6 mil horas nos céus. Os colegas são unânimes: Patrick era “um homem muito experiente” com uma “relação perfeita” com toda a tripulação e com a vida e a família.

Com 34 anos, era ele o capitão do voo 4U-9525. É um dos 150 corpos que as autoridades tentam resgatar nos Alpes, onde se despenhou o avião Airbus 320 que tinha partido de Barcelona (Espanha) em direção a Dusseldorf (Alemanha).

A gravação retirada da caixa negra que foi recolhida no local do acidente oferece mais informações sobre o que se terá passado a bordo: quando Sondenheimer deixou o cockpit do avião, o copiloto ficou sozinho no seu interior. Algum tempo depois, o comandante regressou, mas não obteve resposta quando pediu a Lubitz para abrir a porta. Ouvem-se então os gritos de Sondenheimer, implorando ao copiloto que abrisse “a maldita porta”. Os sons metálicos que se escutam pouco depois fazem crer que tentou forçar a entrada no cockpit, recorrendo a um martelo para danificar a porta. Mas os esforços foram inúteis.

A família diz-se em choque e devastada. “Ele merece e Medalha de Honra Alemã, pelas suas tentativas heróicas de regressar ao cockpit”, defende a avó do capitão em nome da família, um desejo que vai ao encontro da opinião de grande parte dos internautas alemães.

Os parentes de Patrick Sondenheimer visitaram o memorial para as vítimas do Airbus 320 durante o fim de semana. À medida que o tempo passa, as perguntas sobre os motivos do acidente adensam-se para a família do comandante, conforme explica Francois Balique, o mayor de Le Vernet, em França.

Os investigadores não revelam muito sobre o comandante do voo 4U-9525. Mas o procurador de Marselha, Brice Robin, acrescenta que “ele deve ter-se apercebido do que estava a acontecer”.