O polémico fundador da Frente Nacional francesa, Jean-Marie Le Pen, abriu este domingo a porta para que a sua neta, Marion Maréchal Le Pen, o venha a substituir como candidata do partido na região Provence-Alpes-Costa Azul nas próximas eleições, passando assim por cima da filha Marine Le Pen, atual líder do partido de extrema-direita, que tem estado bem posicionado nas sondagens para as legislativas e que foi a segunda força política na primeira volta das eleições departamentais de março.

“Darei a conhecer a minha posição na segunda-feira. Se eu não for candidato, não vejo mais ninguém que a Marion. Não há outra personalidade que tenha tanta notoriedade no seio da Frente Nacional para esta região”, disse Jean-Marie Le Pen ao diário Le Journal du Dimanche.

Marion Maréchal Le Pen, de 25 anos, é a terceira da dinastia Le Pen e sobrinha de Marine. Tornou-se em junho de 2012 a deputada mais jovem da história de França. Em novembro passado foi a mais votada pelos militantes da Frente Nacional na eleição dos membros do comité central, uma espécie de parlamento do partido.

As declarações do também presidente honorário da FN surgem durante uma grave crise no seio do partido, depois de a sua filha e líder do movimento, Marine Le Pen, ter anunciado que vai vetar a possibilidade de Jean-Marie se apresentar como candidato nas eleições regionais. Esta crise familiar surgiu na sequência das últimas declarações do pai, que defendeu o marechal Pétain, líder da França e colaboracionista dos nazis, o que levou Marine Le Pen a intervir.

A presidente da Frente Nacional disse que Jean-Marie, de 86 anos, será submetido a um processo disciplinar perante o comité executivo do partido. Apesar disso, Jean-Marie continuou a cultivar o seu estilo polémico e sarcástico, deixando hoje a porta aberta a encabeçar uma lista alternativa aos comícios regionais.

“O essencial [para a Frente Nacional] seria fazer fracassar Jean-Marie, mesmo que isso levasse ao fracasso da sua lista”, disse o próprio, referindo-se a si mesmo na terceira pessoa.