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Ciência

Depressão: antidepressivos vs poder da mente

Será que o tratamento com antidepressivos é o mais eficaz na prevenção da depressão? Estudo recente conclui que estas drogas são tão eficazes quanto uma terapia baseada no poder da mente.

As perturbações psiquiátricas afetam mais de um quinto da população portuguesa

Getty Images

Autor
  • Marlene Carriço

Para evitar que uma pessoa com diagnóstico depressivo tenha recaídas, os médicos têm por prática prescrever antidepressivos durante um período de dois anos. Mas será que esta é a opção mais eficaz? Um estudo publicado na revista médica The Lancet revela que uma terapia baseada em exercícios da mente – Mindfulness-based cognitive therapy (MBCT) – pode ser igualmente eficaz e com menos efeitos negativos.

O estudo publicado esta segunda-feira, 20 de abril, e que envolveu uma amostra de 424 britânicos com diagnóstico depressivo, concluiu que a taxa de recaída foi praticamente a mesma naqueles que recorreram à terapia “Mindfulness” e nos que continuaram a tomar antidepressivos durante os dois anos seguintes à depressão, a prática recomendada pelo NICE (National Institute for Health and Clinical Excellency), o instituto britânico equivalente ao Infarmed, em Portugal.

Os 424 participantes foram divididos em dois grupos – um deles tomou sempre antidepressivos e o outro fez oito sessões de grupo e mais quatro opcionais durante um ano e gradualmente largou a medicação. A eficácia na prevenção da recaída foi idêntica, com menos efeitos secundários para os que seguiram a terapia.

Os investigadores, baseados num estudo-piloto de 2008, tinham pensado que este estudo iria mostrar que a terapia MBCT é mais efetiva do que os medicamentos, mas, citado pelo Guardian, o autor principal do estudo Willem Kuyken – da Universidade de Oxford – disse que “a realidade é que [a eficácia desta terapia] não foi superior à da medicação “.

O MBCT é uma terapia que incentiva as pessoas a focarem-se no presente, em cada momento, e nos efeitos que esses pensamentos têm sobre o bem-estar. A partir daí a pessoa rompe com o passado e põe fim a hábitos nocivos.

Portugal apresenta o maior consumo de ansiolíticos 

O elevado consumo de antidepressivos tem sido referido pelas autoridades de saúde em Portugal e não é um problema novo. Em comparação com outros países europeus, Portugal apresenta o maior consumo de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos (96 DHD – Dose Diária Definida por 1000 habitantes), muito superior à Dinamarca (31 DHD), Noruega (62 DHD) e Itália (53 DHD), de acordo com o estudo apresentado no final do ano passado “Portugal – Saúde Mental em Números 2014”.

As duas substâncias que se mantêm mais destacadas são o alprazolam e o lorazepam, que integram o subgrupo das benzodiazepinas [fármacos ansiolíticos utilizados no tratamento de situações de ansiedade e insónias] com maior potencial de induzirem tolerância e dependência, que, contrariamente ao verificado no resto da União Europeia, têm registado acréscimos anuais de consumo.

As perturbações psiquiátricas afetam mais de um quinto da população portuguesa. Com os valores mais altos de prevalência anual destacam-se as perturbações da ansiedade (16,5%) e as perturbações depressivas (7,9%), de acordo com o primeiro Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental divulgado em 2013 e integrado no World Mental Health Survey Initiative, da OMS. Em comparação com outros países ocidentais, Portugal apresenta dos mais altos valores de prevalência de perturbações psiquiátricas (22,9%), apenas comparáveis com a Irlanda do Norte (23,1%) e com os EUA (26,4%), alcançando as perturbações de ansiedade e as de controlo dos impulsos a pontuação mais elevada entre os 9 países da Região Europa da OMS que integraram o mesmo estudo.

 

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