Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

O feriado de 1 de maio vai dar uma ajuda para aliviar temporariamente o aperto em que se encontram as finanças pública da Grécia. Atenas tem de fazer um pagamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI) no valor de 201 milhões de euros naquela data, mas o facto de se tratar de um feriado seguido de fim de semana adia a liquidação do reembolso para 6 de maio, dando alguma margem de manobra ao Governo liderado por Alexis Tsipras.

A notificação do Fundo será realizada a 4 de maio e a Grécia terá dois dias para proceder ao pagamento, disse uma fonte familiar com estes procedimentos à Bloomberg. Há, no entanto, outro reembolso ao FMI agendado para 12 de maio cuja data não será alterada. Este pagamento tem o valor de 766 milhões de euros.

A situação financeira do país permanece periclitante. Dimitris Mardas afirmou, na quarta-feira, que os cofres do Estado tinham uma carência de 400 milhões de euros, dinheiro necessário para assegurar o pagamento de salários e pensões em abril. Nesta sexta-feira, o vice-ministro das Finanças revelou que aquelas necessidades de liquidez tinham baixado para 160 milhões de euros, depois de o Governo ter tido acesso a um balão de oxigénio proporcionado pela entrega de reservas ao banco central do país por parte do poder local, hospitais e universidades.

Esta decisão poderá garantir ao Estado central seis semanas de liquidez, enquanto se prolongam as negociações entre a Grécia e os credores internacionais, grupo que inclui o FMI, além do Banco Central Europeu (BCE) e da Comissão Europeia. Apesar das críticas de que foi alvo na reunião do Eurogrupo que teve lugar nesta sexta-feira em Riga, capital da Letónia, a Grécia poderá não ter de abandonar a zona euro no caso de entrar em incumprimento, de acordo com economistas consultados pela Bloomberg.

Um grupo de 29 economistas deu 40% de hipóteses de o país falhar os compromissos financeiros que assumiu, com uma probabilidade de 30% de a Grécia via a abandonar o clube do euro, integrado por 19 países membros da União Europeia. “Apesar de a probabilidade de um Grexit ter crescido nas semanas mais recentes, é errado pensar” que a um eventual incumprimento se seguirá uma saída do espaço da moeda única europeia, afirmou Danae Kyriakopoulou, economista sénior do Center for Economics and Business Research, em Londres. “Se o acesso a liquidez se mantiver, mesmo no caso de incumprimento, um Grexit não se seguirá” a um falhanço nos pagamentos, acrescentou.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR