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Restaurantes

Talher não entra: 12 sítios para comer com as mãos

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As boas maneiras nem sempre exigem que se use a faca, o garfo ou a colher à mesa. E as boas refeições muito menos. Nestes 12 sítios, a ordem é mesmo ignorar talheres e dar uso às mãos. Sem pudores.

Um sinal que podia estar à porta de cada uma destas sugestões.

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Autor
  • Tiago Pais

LISBOA

Pigmeu
O mote da casa é “de tudo um porco” e não engana. O cerdo é aqui aproveitado na sua totalidade, só sobram os ossos. Começa tudo num conjunto de petiscos bem confecionados, onde brilham os croquetes de bochecha e os torresmos. Mas onde se deve pôr mesmo as mãos, à confiança, é nas magníficas sandes que complementam a oferta: a de barriga, tenríssima, é imperdível, mas não é a única com esse estatuto — a de leitão e a de pernil também são escolhas seguras.
Rua 4 da Infantaria, 68 (Campo de Ourique). 21 825 2990. De segunda a sábado, das 12h30 às 15h00 e das 19h30 à 00h00.

Frankie
Desde fevereiro que este espaço pequeno mas com boa pinta junto ao Colégio Moderno, no Campo Grande, prova que um cachorro pode ser mais do que pão com salsicha. Muito mais. Tanto pode ter macarrão com queijo, como aros de cebola e bacon ou linguiça e molho de francesinha, entre outras opções. Não é fácil de comer à mão, mas isso só abona a favor da riqueza do recheio. O corn dog, para comer à chegada, também merece atenção.
Rua Doutor João Soares, 8B (Campo Grande). 21 400 3781. De segunda a quarta, das 12h00 às 22h00. De quinta a sábado das 12h00 às 23h30.

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O Mac&Cheese e as batatas especiais da casa, com queijo e bacon (foto: DR)

Nova Pombalina
À primeira vista, não se dará grande coisa por este clássico da Baixa, que, de repente, parece mais um café feito para os turistas retemperarem forças. Mas vale a pena parar, admirar a montra, quase sempre enfeitada com slogans humorísticos da autoria de Manuel Maurício, o dono, entrar e pedir a best seller sande de leitão bem aviada, com generosos pedaços do bicho que chega, todos os dias, de Negrais. Os sumos naturais são um belo complemento.
Rua do Comércio, 2 (Baixa). 21 887 4360. De segunda a sábado, das 08h00 às 20h00.

Pistola y Corazón
Ai de quem tente meter talheres nas criações da primeira taqueria mexicana genuína de Lisboa, de portas abertas desde final do ano passado. É mesmo suposto comê-las à mão, seja qual for o recheio, a quantidade de picante ou a coordenação motora do visitante, não raras vezes afetada pelos portentosos cocktails de tequilha e mezcal disponíveis para acompanhar. Para os menos capazes há instruções disponíveis em cada uma das mesas.
Rua da Boavista, 16 (Cais do Sodré). 21 342 0482. De terça a domingo, das 18h00 à 00h00.

pistola y corazón

Um dos mais bem-sucedidos (e picantes) tacos do Pistola y Corazón, o Tinga de Res, com carne de vaca. (foto: Pistola y Corazón / Facebook)

Gambrinus
Esta sugestão poderá causar estranheza — trata-se, afinal de um dos restaurantes mais luxuosos da capital –, mas vem com uma ressalva importante: para comer à mão no Gambrinus não é necessário passar do balcão. Ou da barra, como lhe chamam. Basta arranjar lugar, tarefa nem sempre fácil, e reproduzir o seguinte pedido “croquete, prego e tulipa”. O croquete é o melhor da cidade, o bife do lombo em pão aquecido é irrepreensível e a tulipa da casa, uma mistura de cervejas, deixaria orgulhoso o patrono da bebida, que dá nome à casa.
Rua Portas de Santo Antão, 25 (Rossio). 21 342 1466. Todos os dias, das 12h00 à 00h00.

Prego da Peixaria
Custa a crer que o grande império de pregos da capital tenha nascido num restaurante/peixaria exclusivamente dedicado aos produtos do mar, o Sea Me. Mas nasceu, graças a um prego do lombo em bolo do caco — única sugestão de carne da ementa — que se tornou mítico. Tão mítico que os responsáveis decidiram, no final de 2013, transformá-lo em conceito, juntando-lhe outras criações do género com diversos tipos de carne, peixe ou pão. Surgiu aí o primeiro Prego da Peixaria, no Príncipe Real, atualmente secundado por mais dois espaços, no Mercado da Ribeira e no Saldanha. E a marca não vão ficar por aqui: há uma quarta casa, na Avenida da Igreja, a abrir em breve.
Rua da Escola Politécnica, 40 (Príncipe Real). 21 347 1356. Todos os dias, das 12h30 à 00h00 (sexta e sábado até à 01h00). 

prego da peixaria

O Ultra, um dos últimos pregos a ser introduzido no Prego da Peixaria: carne do lombo, alho, mel/mostarda e presunto de Chaves. (foto: DR)

PORTO

Casa Guedes
Não há Guedes nenhum nesta casa, mas antes dois irmãos, Correia de apelido. César e Manuel, com as respetivas mulheres na cozinha, comandam esta casa cuja atração maior tem quase tanta fama na Invicta como a Torre dos Clérigos. Trata-se de uma extraordinária sandes de pernil de porco, assado lentamente, que pode, ou não, vir acompanhada de queijo da serra de fabrico exclusivo para a casa. Se a casa estiver cheia o melhor é pedir logo duas, para evitar voltar à fila. O vinho verde da casa completa o cenário de sonho.
Praça dos Poveiros, 130. 22 200 2874. De segunda a sábado, das 08h30 às 22h00

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É deste pernil que sai a carne para a melhor sande do Porto.

Pizza a Pezzi
A versão al taglio (à fatia) das famosas pizzas da Casanova e Casa d’Oro, de Maria Paola Porru, chegou em março ao Porto. Abriu portas ao lado de clássicos da Invicta como a Leitaria Quinta do Paço ou a Padaria Ribeiro, num espaço semelhante ao original lisboeta. Semelhante mas não igual. É que este inclui uma esplanada que permite apreciar devidamente — e entre outras — a magnífica Diavola (incrível salame picante), a original Batate (de batata e alecrim, boa opção vegetariana), e os ótimos snacks que também fazem parte da oferta, como os suppli ou as mini calzones.
Praça Guilherme Gomes Fernandes, 57. 93 323 0697. Todos os dias das 11h00 à 00h00. De quinta a sábado fica aberto até às 02h00.

Stash
Ainda antes de ter ganho uma estrela Michelin com o seu restaurante homónimo, Pedro Lemos abriu esta casa de sanduíches criativas na Baixa. E apesar de ser a mulher, Joana Espinheira, a dar a cara pelo negócio, o toque criativo do chef portuense está em todas as opções disponíveis. A mais conhecida resume numa simples sanduíche toda a experiência de visitar uma marisqueira, do pão torrado aos pedaços de caranguejo e sapateira do recheio. Sublime.
Praça Guilherme Gomes Fernandes, 60. 91 456 7616. De terça a sábado das 12h30 às 17h00 e das 19h30 à 00h00.

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Esta magnífica criação de Pedro Lemos resume, numa só sanduíche, toda a experiência de comer numa marisqueira. (foto: Stash / Facebook)

Gazela
Junto ao Teatro São João, numa cervejaria que, praticamente, só tem balcão servem-se aqueles que qualquer portuense considera os melhores cachorrinhos do mundo, os da Batalha (a designação deve-se ao bairro em que fica a casa). Pouco têm a ver com o hot dog americano, daí o diminutivo: trata-se de uma pequena baguete estaladiça com salsicha fresca, linguiça e queijo. Vem tudo cortado em pedaços e, preferencialmente, acompanhado de finos que saem sempre vivaços da torneira. O ideal é ir fora de hora tradicional das refeições e pedir dois: se a coisa correr mesmo bem, no instante em que estiver a acabar o primeiro, o segundo ser-lhe-á posto à frente.
Travessa Cimo de Vila, 4. 22 205 4869. De segunda a sexta, das 12h00 às 22h30

Conga
Lembra-se daquele célebre anúncio com participação de Felipão Scolari onde o ex-selecionador nacional afirmava que “pebolim é matraquilho e açouge é talho”, entre outras comparações luso-brasileiras? Pois bem, podia perfeitamente ter acrescentado que, no Porto, bifana é Conga. E há quase 40 anos que assim é, graças a um molho picante de receita secreta, qual poção mágica, onde se banham as ditas raspas de carne de porco. De há dois anos a esta parte que a casa conta com espaço amplo, contíguo ao original, que contribuiu para facilitar o acesso à iguaria em hora de ponta.
Rua do Bomjardim, 3. 96 963 7441 / 22 200 0113. Segunda e terça das 09h00 à 00h00. De quarta a sábado das 09h00 às 02h00 e ao domingo das 11h00 à 00h00.

conga casa das bifanas

O truque está no molho, está na carne, está no pão…está em todo o lado. (foto: Conga / Facebook)

O Reco da Baixa
É uma espécie de paraíso do leitão, em plena Baixa do Porto. Os bichos, vindos de Sangalhos, perto de Anadia, são assados no local e colocados em pedaços dentro de um pão cozido segundo receita própria, tudo para formar a que os responsáveis dizem ser “a melhor sande de leitão do mundo”. Apesar de não haver um ranking oficial que garanta tal distinção poder-se-á dizer que relativa dose de segurança que não andará longe desse estatuto. E quem estiver à espera de um espaço tipo salão de beira de estrada na Mealhada desengane-se:este Reco tem pinta. Muita pinta.
Praça Dona Filipa de Lencastre, 90. 910 480 081. Terça e quarta das 12h00 à 00h00. De quinta a sábado das 12h00 às 02h00 e domingo das 12h00 às 17h00.

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