História

Estação de Santa Apolónia, em Lisboa. 151 anos a ver passar os comboios

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A Estação de Santa Apolónia faz 151 anos. O edifício lisboeta, inaugurado a 1 de maio de 1865 no reinado de D. Luís I, foi sofrendo alterações com o passar do tempo. Descubra-as em 27 fotos.

Este artigo foi publicado pela primeira vez a 1 de maio de 2015, por ocasião do 150º aniversário da Estação de Santa Apolónia. Este ano, republicamos as 27 imagens de uma das estações mais icónicas do país para recordar uma parte da História portuguesa. O texto sofreu algumas alterações para garantir a sua atualidade.

A Estação de Santa Apolónia em Lisboa completa este domingo 151 anos. Aquela que foi a primeira estação de comboios portuguesa é hoje ponto de partida e de chegada de cerca de 150 comboios por dia, segundo dados da Refer.

Desta estação, inaugurada a 1 de maio de 1865, no reinado de D. Luís I, “partem diariamente 75 comboios da CP (Alfa Pendular, Intercidades, Inter-regional, Regional e Urbanos) e chegam outros tantos”, realça a Rede Ferroviária Nacional (Refer), numa nota enviada à agência Lusa. É também na Estação de Santa Apolónia que têm início e fim os comboios internacionais Sud Expresso (ligação a Paris) e Lusitânia (ligação a Madrid). Segundo dados da Refer, o fluxo médio mensal em Santa Apolónia era de 236.449 passageiros em 2013, um número inferior ao registado em 2007, quando recebia, em média, 374.873 passageiros por mês.

O projeto para a construção de uma estação entre a Praia dos Algarves e a Rua Direita do Caes dos Soldados, aproveitando o antigo Convento de Santa Apolónia, para servir a ligação por caminho-de-ferro de Lisboa ao norte do país e a Espanha e França, foi aprovado em 1862.

Em 1856 tinha-se realizado a primeira viagem de comboio em Portugal, entre Lisboa (a partir de um cais improvisado perto da atual estação) e o Carregado, e havia projetos do ministro Fontes Pereira de Melo para expandir o caminho-de-ferro pelo país.

A autoria do projeto original da Estação do Caes dos Soldados, como então se lhe chamou, coube ao Engenheiro Angel Arribas Ugarte, ao Engenheiro Diretor João Evangelista Abreu e ao Engenheiro Chefe Lecrenier.

A construção coube à empresa do engenheiro francês C.A. Oppermann, diretor da publicação de engenharia “Nouvelles Annales de la Construction”, e foi dirigida pelo engenheiro Agnés, tendo as diferentes partes que compõem o edifício sido subcontratadas a diversos construtores. Custou na altura 255.164$000 réis, o equivalente a pouco mais de 255 escudos (1,27 euros).

O edifício, encomendado pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, tinha “cocheira para 22 carruagens”, salas de espera de 1.ª, 2.ª e 3.ª classes, e salas do chefe de estação, “dos botequins e casa de pasto”, além de ser iluminado por 143 candeeiros a gás, de acordo com uma descrição no “Archivo Pittoresco Semanario Illustrado”, publicação lisboeta da época.

A estação – que é um lugar central no fim trágico do romance Os Maias, de Eça de Queirós – foi sofrendo alterações ao longo dos tempos.

“Ao edifício foi acrescentado um andar superior e construída a avenida Infante D. Henrique. Foram criados parques de estacionamento para automóveis particulares, táxis e paragens de elétricos. (…) Os cais de embarque foram prolongados e alargados, procedeu-se à iluminação de toda a gare, dotou-se o edifício com o serviço de bar, salas de espera, depósito de volumes, vendas de jornais e um sistema de informação ao público”, destacou a Refer.

A partir de 1998 sofreu com a concorrência da nova Estação do Oriente, construída por ocasião da Expo’98, e a 19 de dezembro de 2007 ganhou uma nova ligação à cidade de Lisboa, com a inauguração da interface com o Metropolitano da capital.

Mas sabe quem era Santa Apolónia? A santa, que deu o nome à estação, é conhecida como a padroeira dos dentistas ou daqueles que sofrem dores de dentes. Também chamada Apolónia de Alexandria era uma virgem mártir que morreu pelo cristianismo no ano 249 na cidade de Alexandria, no Egito. Reza a lenda que antes da sua morte, foi torturada tendo todos os seus dentes sido arrancados ou quebrados. E foi esse mito foi o que lhe deu a alcunha popular.

A estação ferroviária foi também o palco de alguns eventos históricos

A 17 de novembro de 1873, foi inaugurada a chamada linha de “Americanos” com “carruagens de Nova Iorque, puxadas por mulas brasileiras” como terá dito Ramalho Ortigão. A linha ligava Santa Apolónia à atual Avenida 24 de Julho, anteriormente conhecida como o aterro da Boavista, passando por Santos. Os media terão elogiado as novas carruagens: “são muito espaçosas, com assentos para 22 pessoas, mas podem transportar em pé, aos lados do condutor e do cocheiro, mais 12 passageiros”.

No dia 19 de maio de 1886 a princesa Maria Amélia de Orleães chegou pelas 17h00 à estação de Santa Apolónia vinda de Paris. Aquela que se iria tornar na Rainha D. Amélia de Portugal chegou acompanhada pela família e pelo numeroso séquito. Rumou a Lisboa para celebrar a boda de casamento com o príncipe D. Carlos de Bragança na Igreja de Santa Justa a 22 de maio. Depois da chegada da princesa todos almoçaram na histórica estação.

Santa Apolónia foi também o primeiro lugar em solo português que Mário Soares pisou a 27 de abril de 1974 no regresso do exílio em França. Descubra como evoluiu a Estação de Santa Apolónia na fotogaleria com imagens do Arquivo Municipal de Lisboa.

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