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Os podres de Hollywood segundo Orson Welles

Grace Kelly dormia com todos. Woody Allen era arrogante. Marlon Brando pouco inteligente. Catherine Hepburn contava as aventuras sexuais. O que Orson Welles dizia de metade de Hollywood em livro.

Getty Images

Que o realizador de Citizen Kane, Orson Welles, era excêntrico e mal educado não é novidade. Mas agora os pormenores da sua personalidade e mal dizer sobre metade de Hollywood estão a tornar-se de conhecimento mais alargado, depois da publicação em várias línguas das conversas à mesa que Welles mantinha com o realizador Henry Jaglom. Sem filtro e sem constrangimentos, o polémico realizador atacava todas as estrelas de Hollywood sem dó nem piedade: Katharine Hepburn tinha o hábito de contar todas as suas experiências sexuais, Grace Kelly também “dormia com toda a gente”, mas era discreta. Woody Allen metia-lhe nojo, e nem Marlon Brando escapava, tinha um pescoço feio e era pouco inteligente, dizia.

Em ‘Os meus almoços com Orson Welles’, Peter Biskind faz uma compilação de todas as conversas que os dois realizadores tinham durante o almoço, e que Jaglom gravava, deixando a descoberto um génio louco, racista, que dizia mal de Hollywood inteiro e que julgava todos pela aparência. “Se não gosto do aspeto físico, já não gosto daquela pessoa”, dizia a dada altura, apontando baterias a estrelas como Bette Davis – “não a suporto, não pela forma como atua, mas pela sua aparência” -, ou Woody Allen. “Fisicamente também detesto o Woody Allen, não gosto nada de homens como ele”, dizia, acrescentando que o realizador nova iorquino era “de uma arrogância inconcebível”.

Os “Almoços com Orson Welles” revela ainda pormenores sobre a atriz Katharine Hepburn e sobre o seu alegado apetite sexual. Segundo os relatos das conversas sem filtro, Hepburn adorava contar ao pormenor, durante a rodagem dos filmes, as suas experiências sexuais, nomeadamente com o magnata Howard Hughes. “Na altura ninguém falava daquilo com tanto descaramento, e parecia que ser assim grosseira era uma decisão dela”, dizia.

Nem Marlon Brando escapava à má-língua e à obsessão de Welles pela aparência das pessoas, homens ou mulheres. Criticava-lhe o tamanho pescoço e a “pouca inteligência”. E, sem qualquer pudor, mostrava-se racista e xenófobo. “Estou absolutamente convencido de que isso da igualdade é tudo mentira, as nações e os povos não são todos iguais”, lê-se no livro, citado pela imprensa espanhola.

Saiba o que ele pensava de algumas estrelas na fotogaleria em cima.

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