A Grécia incumprirá com os 300 milhões de euros em dívida que tem de reembolsar ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a 5 de junho caso não haja um acordo com os credores internacionais. A garantia é do líder da bancada parlamentar do Syriza, Nikos Filis, que diz que “este é o momento em que as negociações estão a atingir o clímax. Esse será o momento da verdade, o dia 5 de junho”.

“Se não houver um acordo até lá, que resolva o problema de financiamento que existe, eles [o FMI] não receberão qualquer pagamento”, avisa Nikos Filis, numa entrevista à televisão ANT1 citada pelo jornal grego Ekathimerini.

A declaração de Nikos Filis, que garante que “não há fundos” para realizar esse pagamento “estupendo” de 302 milhões de euros, não surpreenderá pelo facto de a Grécia já ter tido que recorrer aos fundos de reserva que existiam no FMI para fazer o pagamento de 750 milhões ao próprio FMI, a 12 de maio. Mas é mais uma indicação da urgência que existe em que a Grécia consiga um acordo com os credores nas próximas semanas.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, deram terça-feira um prazo de 12 dias para que se chegue a um acordo. Os líderes europeus adiantaram que vão informar Alexis Tsipras, o primeiro-ministro grego, desta decisão durante a Cimeira Europeia que se realiza no final desta semana em Riga, na Letónia.

O vice-presidente da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis avisou que ainda “há muito trabalho a fazer” e, também na terça-feira, Angela Merkel acrescentou que é preciso que as negociações sejam mais rápidas. “Não estão a andar a um ritmo propriamente acelerado”, lamentou.

A “fatura” dos 300 milhões de euros a pagar ao FMI no dia 5 de junho não é a única. Os reembolsos ao FMI no próximo mês totalizam 1.500 milhões de euros, necessidades a que se juntam as despesas correntes como salários da função pública e pensões. A quebra das receitas fiscais nestes primeiros meses de 2015 levaram o governo a recorrer aos excedentes de tesouraria de universidades, hospitais e fundos de pensões públicos, bem como de autarquias e outros organismos do poder local.

Além do risco ligado às finanças públicas, teme-se que os bancos gregos deixem de ter ativos suficientes para entregar como garantia junto do banco central para obter financiamento. O que poderá provocar uma crise nesse âmbito é a possibilidade de o BCE apertar os critérios para esses mesmos ativos usados como garantia, o que os analistas dizem que colocaria a Grécia no caminho dos controlos de capitais.

Para mais, leia o Explicador que o Observador preparou na última semana sobre os próximos capítulos desta crise grega.