“Eu estou no exercício pleno dos meus direitos e a política está-me na massa do sangue.” É assim que Isaltino Morais responde quando lhe perguntam se pensa voltar à política, depois de ter estado preso durante 429 dias por fraude fiscal e branqueamento de capitais. O ex-presidente da Câmara de Oeiras e ministro deu uma entrevista ao jornal Expresso, publicada na edição deste fim de semana, a propósito do novo livro A Minha Prisão, que vai lançado a 29 de maio.

Apesar de não ter dado um “sim” redondo, deixou ficar no ar a hipótese de se envolver, uma vez mais, no universo político. “Adoro servir as pessoas e, portanto, não digo nada”, continuou, não sem antes lamentar os ordenados da classe política.

“Dificilmente se vai para a política a menos que se tenha autonomia financeira e não se precise de um ordenado para viver. Eu, neste momento, estou a trabalhar no sentido de conseguir o meu desafogo”, acrescentou ainda Isaltino Morais que, no decorrer da mesma entrevista, comentou que a atual reforma de 1.200 euros “não dá para estar quieto”.

No livro em questão, que chega às livrarias do país no próximo dia 29 de maio, Isaltino faz um ataque cerrado ao sistema judicial, aos media e a alguns políticos, nomeadamente Marques Mendes, ex-líder do PSD, que vetou a sua candidatura a Oeiras em 2005, e Paula Teixeira da Cruz, atual ministra da Justiça. Mas sobre a esfera política, Isaltino afirma que há mais por dizer e que há outro livro a caminho.

“Posso dizer que irei escrever um livro de natureza política onde, aí sim, falarei sobre várias pessoas porque o que eu disse aqui do Marques Mendes não é nada. Aliás, ficaria muito triste se o que ficasse deste livro fossem duas páginas sobre o MM”, afirmou. Apesar disso, Isaltino confessa que ainda tem amigos no PSD: “Felizmente tenho muitos amigos. No PSD e no PS. Aliás, nos partidos todos. E no PSD, a começar pelo primeiro-ministro”.