A China é a “principal suspeita” da autoria do ciberataque que roubou dados pessoais de quase quatro milhões de funcionários públicos norte-americanos, conhecido no início de junho. E, desta vez, quem o diz é James Clapper, chefe de espionagem dos Estados Unidos da América (EUA).

Segundo a BBC, Clapper é o mais alto responsável norte-americano a apontar o dedo a Pequim publicamente. Já na altura do ataque, Susan Collins, membro do Senate Intelligence Committee, tinha referido que os ataques teriam sido realizados por piratas informáticos chineses — declarações que terão caído mal em Pequim, onde um oficial chinês as classificou como “irresponsáveis”.

“Ataques cibernéticos são, geralmente, anónimos e conduzidos além-fronteiras e as suas origens são difíceis de localizar”, terá declarado Hong Lei, porta-voz do Ministério do Exterior chinês. Mas James Clapper não está convencido: “A China continua a ser a principal suspeita, mas os EUA continuam a investigar”, terá dito numa conferência em Washington DC, de acordo com um porta-voz. Estas declarações surgem três dias depois de se terem realizado altas negociações entre a China e os EUA, em que ambos os países terão concordado em criar um “código de conduta” para a pirataria e para a espionagem cibernética.

Só a 5 de junho é que se soube publicamente que um ataque informático teria resultado no roubo de dados pessoais de quase quatro milhões de funcionários públicos norte-americanos, desde candidatos a emprego, atuais empregados e aposentados. De acordo com a BBC, algumas fontes indicam que o verdadeiro número poderá ascender a 14 milhões, um valor ainda não confirmado. O Governo dos EUA terá tido conhecimento do ciberataque ainda em abril.

Este não é o primeiro ataque do género. Em março de 2014, uma outra intrusão — também ela atribuída a hackers chineses — terá ocorrido nos sistemas de gestão de pessoal, mas o ataque foi bloqueado.