Foi nas vésperas do orçamento de 2012 que Paulo Portas, então ministro dos Negócios Estrangeiros, encerrou sete embaixadas, duas missões e cinco vice-consulados. Tudo em nome da austeridade, não fossem as medidas ter em conta a contenção de custos. Agora, o Expresso noticia que três postos diplomáticos estão a ser reabertos: a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura) e as missões diplomáticas de Bruxelas e Nova Iorque. A medida está a gerar polémica.

Segundo o Expresso, o chefe de gabinete do primeiro-ministro, o diplomata Gilberto Jerónimo, vai ser colocado como embaixador da UNESCO, em Paris, representação que era, desde 2012, assegurada pelo embaixador na capital francesa. Este será o primeiro trabalho de Gilberto Jerónimo como embaixador.

Mas há mais. Outras reaberturas que estão a ser contestadas referem-se às embaixadas de Bruxelas e de Nova Iorque. Em Bruxelas, o posto foi reaberto em março último e é o embaixador António Alves Machado quem vai preencher o cargo. Refira-se que, quando a missão em causa foi cessada, vendeu-se um palácio e pagaram-se indemnizações aos funcionários; agora, vai ser preciso arrancar novamente com o projeto.

Na cidade que nunca dorme o cenário é semelhante: o consulado foi reaberto em novembro do ano passado, depois de 11 anos com o posto vago. A nova cônsul-geral é Manuela Bairos (ex-chefe de gabinete do secretário de Estado das Comunidades, José Cesário).

Três anos depois da decisão de Portas, Rui Machete, atual ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, está a a dar a volta à chave em algumas embaixadas e, com isso, a gerar polémica nas Necessidades — há quem considere que isto acontece de forma a dar lugar a membros de gabinetes cessantes, como é o caso do chefe do gabinete de Passos, diz ainda o mesmo jornal.

Carlos César pede intervenção de Cavaco Silva

O presidente do PS, Carlos César, lamentou que o Presidente da República assista “impávido e sereno” à colocação de chefes de gabinete do Governo da República para postos diplomáticos que tinham sido encerrados.

“Não bastava termos um mau Governo e agora confirma-se que temos um Governo para servir o partido”, comentou. Para Carlos César, “é uma situação lamentável, uma vergonha e é pena, também, que o senhor Presidente da República assista a tudo isto impávido e sereno”.

“Exigimos uma explicação pública sobre esta matéria e exigimos sobretudo que o Presidente da República também assuma a sua posição de árbitro e de zelador para que situações destas não ocorram e nem se multipliquem até ao dia das eleições”, sublinhou.

O presidente do PS criticou que o Governo da República esteja a abrir embaixadas e postos diplomáticos que tinham sido encerrados para “alojar no dia a seguir à derrota nas próximas eleições os chefes de gabinete e os assessores dos ministros”.

O líder dos socialistas portugueses considerou ainda ser de interesse nacional “todas as questões que envolvem ilegalidade, abuso de poder e de posição e que envolvem o aproveitamento indevido do Estado para o alojamento de pessoas que se estão a precaver em função de uma derrota previsível nas próximas eleições”.