Depois de dois anos de intervalo, o Festival Silêncio regressa à capital com dezenas de concertos, intervenções públicas, conversas, exposições e “workshops” em torno da palavra, do silêncio e dos poetas portugueses. Será de quinta-feira a domingo sobretudo na zona do Cais do Sodré, embora a organização proponha alguns percursos – sob o signo de Fernando Pessoa e José Saramago, por exemplo – com a programação a estender-se para a Estrela e o Campo das Cebolas, onde está a fundação José Saramago.

O conceito mantém-se – a celebração da palavra, cruzada com diversas disciplinas, mas com maior participação da comunidade local e do público: “Acreditamos no papel mais interventivo dos espetadores, como participante, colaborando no festival”, afirmou Gonçalo Riscado, no começo de junho, na apresentação do festival.

Essa aproximação à comunidade passa, por exemplo, pelo Coro das Palavras, uma formação coral composta por moradores do Cais do Sodré, orientados por Margarida Mestre, que fará, no Museu das Comunicações, dois recitais populares com poemas relacionados com aquela zona e com a proximidade com o Tejo.

A abertura do Festival do Silêncio dá-se na Praça de São Paulo com o Lisbon Poetry Orchestra, um coletivo de sete músicos, poetas e declamadores que interpretarão poetas surrealistas, “um grupo de artistas que num Portugal cinzento percebeu a urgência da liberdade”, como Cesariny , António José Forte e Alexandre O’Neill, lê-se na sinopse. Desta orquestra fazem parte os músicos Alexandre Cortez e Filipe Valentim, e os atores Miguel Borges e André Gago.

Na mesma praça de São Paulo, até ao dia 05, domingo, são esperadas atuações, entre outros, de Fachada, Gisela João, Medeiros/Lucas, Manel Cruz e do Coro Sinfónico Lisboa Cantat. Haverá ainda encontros sobre literatura, a relação com a música, a ciência e o silêncio. Estão convocados autores como José Eduardo Agualusa, Jaime Rocha, Ana Cássia Rebelo e Afonso Cruz e os músicos Sérgio Godinho e Aldina Duarte.

O Festival Silêncio contará também com intervenções de arte pública, nomeadamente com o artista Tinta Crua a pintar um mural no Largo Corpo Santo.

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No Menage Strip Club, no Cais do Sodré, acontecerá uma sessão diária de “leitura de poesia acompanhada de performance de striptease”.

O Festival Silêncio está, nesta quinta edição, mais virado para a rua e para a comunidade, cumprindo a ideia de uma abordagem “mais popular, para cruzar várias gerações e diferentes públicos”, disse Gonçalo Riscado.

Toda a programação está disponível aqui.