O candidato à Presidência da República Henrique Neto afirmou este sábado que se o PS decidir não apoiar nenhum dos candidatos da sua família política “aumenta a verdade” porque “não é bonito quando o processo é viciado por acordos prévios”.

“Aumenta a verdade do PS é um facto. Para a escolha do secretário-geral houve primárias, que melhoraram muito a verdade da escolha interna e a legitimidade do António Costa é maior por isso. Para a Presidência da República, a candidatura resulta da decisão de uma pessoa. Quando esse processo é viciado por acordos prévios, não é bonito e não é eficiente do ponto de vista democrático”, afirmou Henrique Neto, militante do PS e partido pelo qual já foi deputado, à margem de uma visita a uma feira em Matosinhos.

O empresário da Marinha Grande, que apresentou a intenção de se candidatar à Presidência da República em março, insistiu que “se o PS chegar a essa conclusão, é bom que se faça, porque é correto”.

“Não sei se é melhor ou pior para mim, não faço ideia, mas é bom que se faça porque é correto fazer-se. Como é natural nestas coisas muita gente no PS não concordou com o candidato que o partido escolheu, porque a legitimidade para o fazer foi de o secretário-geral aparentemente ter engraçado com a cara dele”, sublinhou, numa referência ao candidato Sampaio da Nóvoa, que até agora apenas conta com o apoio oficial do Livre/Tempo de Avançar.

Henrique Neto falava aos jornalistas no âmbito de uma iniciativa de recolha de assinaturas para a sua candidatura e de uma passagem pela feira semanal da Senhora da Hora, no concelho de Matosinhos, onde a maioria dos feirantes e clientes admitiu não o conhecer.

O candidato desvalorizou este facto referindo que está empenhado em fazer chegar às pessoas as ideias que defende.

“Para resolver o problema de ser mais conhecido, normalmente o que se faz é pôr uns cartazes com a cara do candidato nas paredes, eu tenho preferência por defender ideias, acho que as ideias são mobilizadores, desde que as pessoas as conheçam. Vamos ter que decidir rapidamente como é que vamos fazer isso”, afirmou.

Uma das propostas que defende e que pretende fazer chegar aos eleitores relaciona-se com “a necessidade de ter um verdadeiro pré-escolar, com transporte e alimentação para aquele terço das crianças mais excluídas, de famílias mais pobres”.

“Portugal deu um grande salto na educação para os dois terços da classe média e classe alta, mas marginalizamos neste processo as crianças das classes mais baixas que vão ao pré-escolar quando vão, que não têm creches, que estão nos bairros de lata, que ficam o dia inteiro a ver televisão mesmo quando há pré-escolar e chegam ao ensino obrigatório completamente excluídas dos outros porque não tem o mesmo desenvolvimento físico e intelectual”, referiu.

Defende que é “um projeto que vale a pena” e que por isso irá enviá-lo para os partidos políticos “para lhes perguntar o que querem fazer em relação a esta nossa proposta”.

“E eu pergunto-me se é melhor ter a minha cara aí pelas cidades, num cartaz muito grande, que custa muito dinheiro, ou se é melhor fazer campanha por isto”, acrescentou.