A editora britânica Pearson chegou a acordo com os japoneses donos do jornal financeiro Nikkei para a venda do jornal económico britânico Financial Times. O negócio é uma surpresa, já que o próprio Financial Times tinha noticiado esta manhã que o negócio estava prestes a ser feito com os alemães Axel Springer. A Pearson já confirmou o negócio, que valerá 844 milhões de libras, quase 1.200 milhões de euros.

Esta manhã, o Financial Times citava fontes próximas do negócio que diziam que a empresa que estava a negociar a compra do título era a Axel Springer, uma empresa alemã que é a maior editora digital da Europa. A Reuters dizia que o anúncio da compra seria feito muito em breve. Mais tarde o jornal acabou por contar que a negociação se deu em simultâneo com os alemães e os japoneses, tendo estes acabado por apresentar uma proposta superior.

A Pearson, líder mundial na publicação de livros educativos, acredita que esta é a altura certa para se focar apenas no mercado educacional, deixando assim de parte o setor dos média. Para além do Financial Times, a Pearson tem também uma participação de 50% na Economist, que não será incluída no negócio.

Já houve uma reação do presidente do Nikkei, Tsuneo Kita, que se disse “extremamente orgulhoso por se aliar ao Financial Times, uma das organizações de media mais prestigiadas do mundo”. Tsuneo Kita acrescentou que o Nikkei e o FT “partilham os mesmos valores jornalísticos“.

Nikkei tem uma faturação de cerca de 1.500 milhões de dólares por ano, é um grupo que é dono do principal jornal financeiro do Japão e que já tem uma presença digital muito forte. O grupo é conhecido também pelos índices bolsistas da bolsa de Tóquio e acaba por vencer a corrida com uma oferta que representa 35 vezes aquilo que foram os lucros operacionais do grupo Financial Times em 2014.

O Financial Times, um dos mais importantes jornais de economia e negócios, foi fundado em 1888 por James Sheridan e Horatio Bottomley. Em 1945, fundiu-se com o seu rival mais direto, o Financial News. Com o passar dos anos, foi crescendo em número de leitores e em amplitude de cobertura, através do estabelecimento de correspondentes em várias cidades do mundo. Foi comprado pela Pearson em 1957.

Num comunicado recente, a Pearson diz que a imprensa mundial tinha chegado a um ponto de inflexão em que existia um crescimento explosivo do consumo de informação associado aos dispositivos móveis e às redes sociais. A Pearson vai, agora, focar-se no negócio das publicações para a educação.

A venda ocorreu porque a própria empresa disse que “neste novo ambiente”, a melhor forma de assegurar o sucesso do jornal era a venda do Financial Times a uma empresa global e com vocação para o online.