Um pátio medieval, uma capela, um claustro e vários jardins fazem parte da mansão do falecido Thomas Sutton. Sutton era um homem extremamente rico que morou em Charterhouse (Londres) há 400 anos, depois de se ter dedicado ao tráfico de armas. Na reta final da vida, transformou a casa num hospital e escola onde 80 homens necessitados podiam viver. Para tal, disponibilizou 300 milhões de dólares.

Embora de portas abertas para o público, a mansão de Charterhouse continua rodeada de muitos mistérios. Sabe-se que neste momento moram 40 homens no local, todos com mais de 60 anos, saudáveis, solteiros e sem dinheiro no bolso nem companhia. Um dos homens mais famosos a viver no local foi Simon Raven, um romancista britânico que morreu em 2001, recorda a BBC Travel.

Um jornalista da BBC decidiu visitar o local e descreve-o como tendo “um ambiente parecido com um mosteiro, mas com um ar académico”. Todos os homens que lá moram mostram gratidão pela oferta de Thomas Sutton: aqui podem escapar à solidão.

Alguns dos residentes explicaram o estilo de vida que levam. Levantam-se às oito da manhã e quem quiser pode dirigir-se à capela para orar durante meia hora, antes de tomar o pequeno-almoço. Depois podem passear pelos jardins, arrumar os quartos ou visitar um médico. Também podem receber aulas de canto ou beber uma cerveja. Às 13 horas é servido o almoço, onde todos os homens se devem apresentar de fato e preferencialmente gravata.

A meio da tarde, já depois do lanche, existe um momento de oração que acaba às 18h30 para um jantar que não passa de um “buffet informal”. Há apenas uma regra inquebrável dentro da mansão de Charterhouse: “Deves dar-te bem com toda a gente”. E  ninguém teme a morte: veem-na como algo natural. “Quando um de nós morre sentimos a sua falta, mas é bom saber que foram bem cuidados”, explica um dos residentes.

Mas a mansão de Charterhouse pode estar prestes a aumentar: está em estudo a abertura de um museu sobre a história do local e o aumento do espaço habitável para poder albergar mais dez homens. Talvez aí se conheça toda a história do local.